Emprego formal: sinais de desaceleração

Os efeitos da desaceleração da atividade econômica sobre o mercado de trabalho formal já começam a se tornar visíveis neste primeiro quartel do ano. Embora se mantenha a trajetória ascendente do emprego, o ritmo de expansão diminuiu sensivelmente. A frágil geração de postos no Brasil evidencia-se nos resultados dos meses de março e abril de 2014, que foram os piores para esses meses desde 1999. Em março, o saldo entre admissões e desligamentos (sem ajustes) foi de apenas 13.117, enquanto, no mesmo mês de 2013, havia sido de 112.450. Em abril, o saldo foi de 105.384 postos frente a 196.913 em abril do ano anterior. No quadrimestre (janeiro a abril de 2014), na série com ajustes, verificou–se um aumento de 458.145 pessoas no estoque de empregados, um crescimento inferior ao registrado no primeiro quadrimestre de 2013 (549.064). É o setor de serviços que tem assegurado a geração de emprego com carteira, respondendo por um pouco mais da metade do contingente acrescido nos primeiros quatro meses de 2014, seguido, à distância, pela indústria de transformação e pela construção civil. A dinâmica da geração de vagas liderada pelo setor serviços — que, tradicionalmente, tem baixa produtividade, trabalhadores com menor escolaridade e salários inferiores aos de boa parte dos demais setores — está refletindo a atual conjuntura macroeconômica de escasso crescimento e rendimentos em desaceleração.

Em que pese o resultado positivo da indústria no quadrimestre, no mês de abril só esse setor perdeu empregados (-3.427 contra 40.603 em abril 2013), configurando uma situação inédita para o mesmo que, desde 2001, pelo menos,
não suprimia postos em abril. Um comportamento totalmente fora do padrão sazonal que pode ser interpretado como um processo de ajustes das empresas a um contínuo baixo crescimento do PIB. Possivelmente, os empresários que estavam evitando demitir, esperando a recuperação econômica no curto prazo, não estejam mais dispostos a “segurar” o emprego.

No ranking da geração de empregos, o Rio Grande do Sul destacou-se no mês de março de 2014 (saldo de 13.708), ocupando o segundo lugar, atrás de São Paulo. Já em abril, passou para a sexta posição (8.589), com São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás à frente. No Rio Grande do Sul, como acontece no Brasil, os saldos líquidos do emprego no presente ano são menores do que os encontrados em 2013. Diferentemente do agregado nacional, no Estado é a indústria de transformação a responsável por quase a metade das vagas acrescidas no período de janeiro a abril de 2014, seguida pelo setor serviços e pela construção civil. No mês de abril, ao contrário do observado no País, o emprego na indústria de transformação gaúcha ainda teve fôlego para crescer (2.100 vagas), graças à indústria da borracha, fumo, couros e peles, responsável por grande parte dos postos criados (2.135).

Um fenômeno interessante a ser observado é o comportamento recente do emprego formal no conjunto das nove áreas metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre), que mostrou um resultado aquém ao do interior dos estados desses aglomerados urbanos. Os dados de março e abril de 2014 são ilustrativos: enquanto, nas áreas metropolitanas, o emprego ficou praticamente estável em março e cresceu 0,16% em abril; no interior, expandiu-se 0,19% (março) e 0,43% (abril). O mesmo movimento pode ser detectado no ano de 2013, em que o interior do Brasil ultrapassou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com carteira assinada. Um dos fatores apontados por alguns analistas para explicar essa situação é a política de reajuste real do salário mínimo, uma vez que as cidades menores costumam depender mais do mínimo para manter a economia local aquecida.

Pode-se esperar que o mercado de trabalho persiga uma trajetória de acomodação até, pelo menos, o final do primeiro
semestre de 2014, com baixo nível de desemprego e desaceleração moderada na criação de vagas formais. As sensíveis
quedas observadas na População Economicamente Ativa (PEA), nos primeiros meses de 2014, indicam ser pouco
provável que ela volte a crescer e a pressionar a taxa de desocupação ao longo do ano.

 

Emprego formal sinais de desaceleração

 

Maria Isabel Herz da Jornada
Socióloga, Pesquisadora da FEE

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