Emprego formal no RS: nova expansão em 2013 e sinais de mudança

De acordo com a Série Ajustada do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged-MTE), em 2013 foram gerados, no Rio Grande do Sul, cerca de 90.000 postos formais de trabalho. Isso representa um crescimento de 3,5%, se tomarmos como referência o estoque de empregos de dezembro de 2012, apurado em outra base do Ministério do Trabalho e Emprego, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Tal resultado — o quarto melhor, em termos absolutos, entre as unidades da Federação, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná — marca uma aceleração do ritmo de expansão do emprego regulamentado no mercado gaúcho, comparativamente ao ano anterior, quando havia sido registrado acréscimo de 50.000 postos (2,0%). Esse comportamento contrasta com o do agregado nacional, que, em 2013, com a geração de 1,1 milhão de postos e uma variação de 2,8%, experimentou arrefecimento na cadência do crescimento do emprego formal, em relação à verificada em 2012 (1,3 milhão de postos, ou 3,5%). Essa diferença de performance no mercado de trabalho é consistente com o resultado superior do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, relativamente ao do Brasil, no último ano.

Em 2013, o crescimento do emprego gaúcho verificou-se em oito dos nove setores de atividade. Apenas nos serviços industriais de utilidade pública houve relativa estabilidade. Com as maiores variações absolutas, destacaram-se serviços, comércio e indústria de transformação (41,5 mil, 24,2 mil e 13,3 mil postos respectivamente). No País, também foram esses os setores que mais incorporaram força de trabalho no ano — 546,9 mil, 305,1 mil e 120,1 mil trabalhadores respectivamente. Quanto à variação relativa, a liderança, no Estado, foi da construção civil (4,9%), seguindo-se serviços (4,5%) e comércio (3,9%). A indústria de transformação teve desempenho bem mais acanhado, com aumento de 1,8% em seu contingente.

Essa expansão do emprego formal foi generalizada no Estado, verificando-se em todas as suas sete mesorregiões. Metropolitana, Noroeste e Nordeste, nessa ordem, ostentaram os maiores incrementos absolutos, respondendo, em conjunto, por quase 80% das vagas geradas em 2013. Ao se tratar da variação relativa, constata-se que, em três mesorregiões (Sudoeste, Nordeste e Metropolitana), a variação ficou abaixo da marca estadual; em duas (Sudeste e Centro Oriental), praticamente igualou-a; nas duas restantes (Centro Ocidental e Noroeste), o crescimento superou o do agregado gaúcho, ultrapassando os 5,0%.

Regionalmente, os setores apresentaram resultados com elevada dispersão. A indústria de transformação teve seu desempenho fortemente condicionado pela mesorregião Noroeste, responsável por cerca da metade do emprego gerado e líder na variação relativa, com 6,6% de crescimento, enquanto, no extremo oposto, Sudoeste e Metropolitana tiveram virtual estagnação do contingente nesse setor. Em serviços, o destaque relativo foi também a mesorregião Noroeste, com 7,0% de expansão, enquanto a menor variação ficou em 1,4%, na Sudoeste. A Metropolitana respondeu por mais da metade do emprego setorial gerado, mas sua expansão relativa limitou-se a 3,9%.

Diante da já duradoura trajetória de crescimento do emprego formal, mudanças qualitativas vão-se imprimindo na dinâmica do mercado de trabalho, gerando debates como, por exemplo, o que cogita que se esteja consolidando uma situação de pleno emprego no Brasil. Um tema que merece investigação diz respeito à mudança de natureza da rotatividade nos postos de trabalho. Estudo em andamento na FEE constatou uma expansão considerável do percentual de demissões a pedido do empregado em relação ao total de desligamentos. No Rio Grande do Sul, em 10 anos, essa parcela saltou de 18,9% para 32,2%. A mesma tendência é verificada em todas as mesorregiões do Estado, a despeito das diferenças estruturais entre elas. Onde menos aumentou, a participação das demissões voluntárias cresceu mais de 56% (mesorregião Nordeste); no extremo oposto, a região Sudeste, ela aumentou 116%. Esses dados sugerem que os trabalhadores têm, na atual conjuntura, condições mais favoráveis para circular no mercado, em busca de oportunidades ocupacionais mais vantajosas.

Emprego formal no RS nova expansão em 2013 e sinais de mudança

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