Emprego formal do País perde força e fecha outubro com pequena retração

O mercado de trabalho formal no Brasil fechou o mês de outubro com a supressão de 30.283 postos, conforme a série sem ajuste — que só contabiliza as informações enviadas dentro do prazo legal — do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (CAGED-MTE). Trata-se do primeiro resultado negativo para esse mês desde 1999, o que dispara um alerta: tão preocupante quanto as perdas na construção civil (-33.556), na agropecuária (-19.624) e na indústria de transformação        (-11.849) é a frágil geração de postos no setor serviços, que ficou longe do desempenho do mesmo mês nos anos recentes (apenas 2.433 postos em 2014, contra 32.071 em outubro do ano passado, por exemplo). A perda de fôlego dos serviços, que vêm respondendo por parcela significativa da geração de emprego formal (62,6% dos postos acrescidos de janeiro a setembro de 2014), lança dúvidas sobre o potencial do setor para continuar sustentando a geração de vagas com carteira assinada, como vem fazendo.

Por outro lado, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o desemprego, para o conjunto das seis regiões metropolitanas onde a pesquisa é realizada, se manteve em patamares baixos, 4,7% em outubro, com crescimento de 0,8%, frente a setembro, do número de pessoas ocupadas. Parte considerável desse aumento deve-se ao contingente dos trabalhadores por conta própria, que cresceu 3,0% na comparação com o mês anterior, enquanto o volume de empregados com carteira assinada no setor privado experimentou um modesto recuo de 0,3%. Assim, os ocupados por conta própria avançaram de uma participação de 18,7% em setembro para 19,1% em outubro, ao passo que os empregados com vínculos formais, que eram 55,3% do total de ocupados, passaram para 54,9%. Esse dado, portanto, é convergente e reforça a preocupação evidenciada a partir do CAGED: a expansão de uma forma de inserção no mercado de trabalho associada à precarização — embora a categoria “conta própria” envolva uma diversidade de situações — já pode estar respondendo a um movimento de contenção do dinamismo do mercado formal.

drope3

Compartilhe