Efeitos da crise na economia gaúcha

O aprofundamento da crise econômica internacional atingiu o Brasil em meio a um período de expansão econômica. Os três primeiros trimestres de 2008 evidenciavam que a economia brasileira se expandia a taxas elevadas, se comparadas com as do período recente, e crescentes. No trimestre imediatamente anterior à eclosão da crise, o País cresceu 6,8% contra o mesmo período do ano anterior. Mas as reduções do crédito e da demanda, não só no Brasil, mas em praticamente todo o mundo, fizeram a economia brasileira desacelerar de maneira rápida e profunda. Quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do PIB do quarto trimestre, o tamanho dessa desaceleração foi conhecido. A economia, que vinha crescendo a taxas superiores a 6,0% nos três primeiros trimestres de 2008, reduziu brutalmente sua expansão, para apenas 1,3% no último.

De maneira similar, mas com intensidade ainda maior, essa mesma freada brusca aconteceu no Rio Grande do Sul. Os dados do Índice Trimestral de Atividade Produtiva (ITAP), elaborado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), revelam que, após crescer 5,9% no terceiro trimestre, a economia gaúcha sofreu uma abrupta interrupção em seu crescimento, em out.-dez./08, quando encolheu 3,7% em relação ao mesmo período de 2007. Decompondo o ITAP por setores, pode-se explicar melhor essa inflexão. A agropecuária, embora tenha reduzido substancialmente sua taxa de crescimento entre o terceiro e o quarto trimestres, não chegou a impactar tanto o índice. O grande impacto veio da indústria. O setor, que vinha expandindo-se, entre julho e setembro, a uma taxa de 11,3%, retraiu-se fortemente no trimestre seguinte, diminuindo sua produção em 7,8%. Para se ter uma idéia do tamanho da retração, o nível da produção industrial de dez./08 é o mesmode jan./08. As atividades industriais que mais recuaram foram metalurgia, química e calçados. O setor serviços também foi bastante afetado. Do mesmo modo que a indústria, vinha num ritmo bom de crescimento, registrando taxas positivas nos três primeiros trimestres do ano. Novamente, a queda foi abrupta, com o setor encolhendo 1,3% nos últimos três meses do ano. Em serviços, merece destaque o comércio. Seu volume de vendas teve redução de 0,8% no quarto trimestre, após aumentar 5,6% no anterior.

Como visto acima, dos três setores que compõem o ITAP, o industrial foi o mais afetado pela crise. O principal canal desse contágio se deu pelas exportações. Por ser uma indústria concentrada em setores dependentes da demanda internacional, a queda das vendas externas teve impacto direto sobre o desempenho da produção industrial gaúcha no período. Como mostram os dados, o volume das exportações já estava perdendo força no segundo trimestre, quando recuou 1,1%, mas, com o agravamento da crise, a queda acentuou-se, chegando a 14,5% no quarto trimestre. As atividades que mais sentiram os efeitos da redução da demanda externa foram as de veículos automotores e calçados.

E o que esperar da economia gaúcha neste o início de 2009? Os primeiros indicadores do ano revelam a continuidade da crise. A queda na produção industrial seguiu em janeiro, com uma contração de 20,3% em relação a janeiro do ano anterior. O comércio retrocedeu 4,7% no mesmo período de comparação. E o volume das exportações diminuiu 31,0% nos dois primeiros meses do ano. Entretanto devem-se aguardar novos dados, para se ter uma idéia mais clara sobre as possibilidades da economia gaúcha em 2009.

Efeitos da crise na economia gaúcha

Compartilhe