Economia gaúcha dependente da agropecuária

De acordo com os últimos dados comparáveis de 2009 divulgados pela FEE e pelo IBGE, o setor agropecuário do Rio Grande do Sul é o segundo mais importante do País, contribuindo com 11,8% da agropecuária nacional. Internamente, o setor participa com 9,9% do Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual. Esse percentual é maior que a média brasileira (5,6%) e maior que o peso desse setor nos estados de maior PIB do País — São Paulo (1,6%), Rio de Janeiro (0,5%), Minas Gerais (9,0%), Paraná (7,7%), Bahia (7,7%) e Santa Catarina (8,2%).

Numa perspectiva sistêmica, entretanto, a influência do Setor Primário do Rio Grande do Sul no produto total expande-se além dos 9,9%. O chamado complexo agroindustrial, que tem a agropecuária em seu núcleo, interliga-se com setores a montante, que fornecem insumos, máquinas e implementos e financiamento, e com setores a jusante, responsáveis pelo processamento (como as indústrias de alimentos e do fumo) e pela distribuição da produção agropecuária. O peso total desse sistema econômico pode chegar a quase um terço do PIB (Documentos FEE, n. 55)

Ao impactar, direta e indiretamente, parcela tão significativa do PIB, o desempenho da agropecuária torna-se decisivo na explicação da evolução da economia do Estado. Os dados da tabela mostram que, nos últimos 11 anos, em 10 deles vigorou a máxima de que, quando o produto da agropecuária gaúcha cresce acima da taxa do PIB gaúcho, o PIB do Estado cresce acima do PIB brasileiro, e, quando ocorre o contrário, o PIB do RS expande-se menos que o nacional. A relação pode ser vista tanto em anos em que a agropecuária do Rio Grande do Sul apresentou taxas positivas (como os anos de 2001, 2003, 2006, 2007, 2009, 2010 e 2011), quanto em anos em que o setor decresceu (2002, 2004, 2005 e 2008). O único ano da série em que a relação não é encontrada é 2009, ano atípico em função da crise internacional, que afetou de forma mais direta a indústria.

O ano de 2011 foi típico do acima exposto. O forte crescimento da agropecuária gerou efeitos positivos sobre atividades ligadas ao complexo agroindustrial, como as de alimentos, as do fumo e as de máquinas agrícolas. Também impactou positivamente o comércio e o setor de transportes e armazenagem, setores estes também vinculados ao desempenho da agropecuária.

De modo geral, os desempenhos da indústria e dos serviços do Estado tendem a acompanhar mais de perto os respectivos desempenhos no âmbito nacional. A agricultura gaúcha, por outro lado, possui dinâmica mais própria, dado o efeito que o clima tem sobre sua produção. Periodicamente, problemas climáticos afetam principalmente as lavouras de verão (em que se sobressaem as culturas do arroz, do fumo, do milho e da soja), aumentando a volatilidade da produção gaúcha de grãos. De 2001 a 2011, houve quatro quedas de produção no Setor Primário, todas elas explicadas por estiagens mais, ou menos, intensas. Em resumo, as oscilações na trajetória da agricultura (as taxas de crescimento da pecuária são mais estáveis) acabam por determinar as oscilações do PIB estadual em torno da média nacional.

A análise dos dados mostra também que a perda de participação da economia do Rio Grande do Sul na do Brasil, nos últimos anos, concentrou-se em 2004 e 2005. De 2006 em diante, o peso do Estado na economia brasileira mantém-se praticamente estável. As respectivas quedas de 10,6% e de 17,4% na agropecuária gaúcha, nos anos de 2004 e 2005, afetaram negativamente toda a economia, fazendo com que o crescimento do PIB estadual fosse menor que o nacional nos dois anos. Duas estiagens sucessivas tiveram como consequência a redução de 0,6 ponto percentual na participação do Estado na economia nacional.

Economia gaúcha dependente da agropecuária

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