Economia brasileira em compasso de espera

As restrições enfrentadas pela economia brasileira nos primeiros seis meses de 2002 acarretaram estagnação na atividade, o que se revela na taxa de 0,14% de crescimento do PIB nesse período, em comparação ao do ano anterior. As restrições dizem respeito a fatores internos e externos. Em relação aos fatores internos, juros altos e queda nos rendimentos deprimiram a produção e a demanda interna; quanto aos externos, a piora da situação argentina e o baixo nível de atividade da economia norte-americana ocasionaram queda nas exportações do País.

Esses fatores tornam-se mais evidentes ao se observar o desempenho dos agregados da demanda final nesse período: -0,82% no consumo das famílias, -7,33% na Formação Bruta de Capital Fixo e -4,90% nas exportações, enquanto somente o consumo do Governo apresentou resultado positivo, de 1,07%. O baixo patamar da atividade nacional pode ser constatado também através da redução de 18,13% nas importações.

Analisando-se o desempenho do PIB brasileiro através dos seus 12 setores, verifica-se que quatro obtiveram taxas negativas: indústria de transformação (-0,3%), comércio (-2,3%), SIUP (-7,3%) e construção civil (-7,3%). Dentre os setores com performance positiva, cabe destacar a agropecuária (4,5%), que, pela sua relevância na estrutura da economia, atenuou o resultado fina.

O modesto comportamento da economia brasileira no primeiro semestre do ano é mais preocupante quando se observa a sua evolução, utilizando-se as taxas acumuladas em quatro trimestres, o que propicia uma idéia do resultado anual, e se constatam sucessivos arrefecimentos do PIB. Esse fato, conjugado com os condicionamentos a que está submetida a economia brasileira, revela o cenário de atuação para os novos governantes do País em 2003.

Economia brasileira em compasso de espera

Compartilhe