Dificuldades no uso da política de juros altos no Brasil

Depois de elevar, em fevereiro, a taxa de juros Selic pelo quinto mês consecutivo, o Bacen manteve-a em 26,5% em março, com o objetivo de assegurar a meta inflacionária acertada com o FMI. A lógica dos juros altos é tornar o crédito mais caro, desestimulando, assim, os agentes econômicos a buscarem financiamento e dificultando o aumento dos preços no mercado.

No Brasil, alguns fatores inibem a eficácia dessa política. Em primeiro lugar, cerca de 16% da dívida interna brasileira é corrigida por taxas de juros pós-fixadas e de curto prazo, o que aumenta a renda dos detentores desses títulos.

Outra dificuldade é a pequena demanda por crédito no Brasil em comparação a outros países. Segundo dados do FMI para o ano 2000, enquanto, no Japão, o crédito representava 191,4% do PIB, no Brasil, significava 29,4%. Hoje, segundo dados de janeiro de 2003, essa relação encontra-se por volta de 23,8%.

Esses problemas, somados ao não-cumprimento das metas de inflação em 2001 e 2002 e à decisão do Bacen de utilizar o conceito de meta ajustada, têm corroído a credibilidade da autoridade monetária  e reduzido as expectativas do mercado, fundamentais para manter a inflação sob controle num regime de metas inflacionárias.

Dificuldades no uso da política de juros altos no Brasil

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