Desempenho e perspectivas do setor calçadista

Ao longo de 2004, a indústria gaúcha registrou elevações expressivas nos patamares de produção, impulsionadas pelo agronegócio e pelas exportações, com destaque para as vendas externas de produtos de fumo e de veículos automotores. Nos últimos meses desse ano, no entanto, o comportamento dos principais indicadores do nível de atividade produtiva mostrou uma desaceleração no ritmo de crescimento, sem, contudo, comprometer a performance do setor industrial, cujo indicador anual alcançou a taxa de 6,4%.

A produção de calçados e de artigos de couro, com uma participação importante na estrutura industrial e na pauta de exportações gaúcha, influenciou de modo desfavorável o comportamento da indústria gaúcha em 2004. Sua trajetória de queda só foi interrompida nos dois últimos meses do ano, tendo alcançado uma taxa apenas levemente positiva no acumulado do ano (0,7%).

Embora seja observada uma recuperação das exportações desse segmento, a apreciação cambial iniciada em agosto de 2003 — explicada não só pelas constantes desvalorizações do dólar frente ao euro e pela redução do Risco-País, mas sobretudo pela elevação da taxa de juros doméstica — vem comprometendo a rentabilidade das empresas calçadistas e, em conseqüência, os volumes de produção.

As perspectivas para 2005 do segmento produtor de calçados e artigos de couro não são favoráveis, tendo em vista as últimas elevações da taxa Selic e, principalmente, a sinalização de que aumentos adicionais poderão ocorrer, o que já tem motivado alterações nas previsões de crescimento da rentabilidade e da produção realizadas no início do ano.

Desempenho e perspectivas do setor calçadista

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