Desempenho da indústria: recuperação em curso?

A taxa de crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto do Brasil no primeiro trimestre de 2004, em relação ao mesmo período de 2003, e de 1,6%, quando comparado com o trimestre imediatamente anterior, conforme divulgado pelo IBGE, recolocou a atividade econômica brasileira numa trajetória de recuperação. No setor industrial, a expansão de 2,9% foi positivamente influenciada pelo desempenho da indústria de transformação (6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado), impulsionado pela produção de bens de capital e de bens duráveis de consumo.

A evolução das taxas de crescimento do índice de média móvel trimestral da produção física industrial confirma a recuperação da atividade fabril em curso desde o segundo semestre de 2003, notadamente a partir do acumulado do mês de agosto, tanto para a indústria brasileira (que já havia apresentado uma inflexão no final do primeiro semestre) quanto para a gaúcha. Embora, inicialmente, ainda negativas, as taxas foram crescendo e passaram a ser positivas ao longo do último trimestre do ano, fruto do abrandamento da política monetária e dos efeitos positivos de uma conjuntura externa mais favorável, que melhoraram as condições macroeconômicas do País. As taxas de maio de 2004 continuam refletindo expansão.

Outro aspecto a ressaltar, quando se analisa a performance dessas duas indústrias, é a semelhança de trajetória das taxas de crescimento num prazo mais longo. O que muda é a magnitude das mesmas, alternando posições, algumas vezes mais elevadas para a indústria brasileira e, em outras, com mais destaque para a atividade industrial gaúcha. Entre janeiro de 2003 e abril de 2004, houve uma maior freqüência de taxas de crescimento trimestrais nacionais, que superaram as da indústria estadual, a qual, por sua vez, apresentou um desempenho mais favorável no período de contração da atividade manufatureira que marcou o primeiro semestre de 2003.

A verificação dessas taxas de crescimento da indústria brasileira superiores às desse setor no Rio Grande do Sul representa uma mudança com relação a comentários efetuados em edições anteriores desta Carta de Conjuntura e deve ser atribuída à reformulação da série de índices mensais da produção industrial (PIM-PF). Conforme divulgado pelo IBGE, essa reformulação teve, dentre outros, o objetivo de elaborar uma nova estrutura de ponderação dos índices, com base em estatísticas industriais mais recentes levantadas na Pesquisa Industrial Anual (PIA) e implicou algumas alterações nas séries de índices anteriores.

As perspectivas para os próximos meses são de continuidade de crescimento das atividades industriais brasileira e gaúcha. O desempenho dos segmentos ligados à agroindústria, com forte presença no Rio Grande do Sul, e dos segmentos voltados para o mercado externo deverá continuar impactando as taxas de crescimento da indústria. Além disso, a recuperação gradual do mercado interno, sinalizada por fatores como a expansão das vendas do comércio varejista e da massa salarial da indústria (segundo o IBGE, no primeiro quadrimestre de 2004, a folha de pagamento real cresceu 8,8% no Brasil e 6,1% no RS), deverá contribuir para a manutenção de um desempenho industrial positivo.

Desempenho da indústria recuperação em curso

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