Desempenho da indústria gaúcha em 2014

O indicador da atividade industrial do Rio Grande do Sul, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou retração de 4,8% da produção física da indústria de transformação em 2014, no acumulado até novembro.
Além dos problemas estruturais enfrentados pelo setor em todo o País, como alta carga tributária, falta de infraestrutura e baixo investimento, alguns fatores conjunturais contribuíram para o resultado do ano. Dentre eles, podem-se mencionar a desaceleração do mercado interno, a falta de confiança dos agentes, a redução do número de horas trabalhadas em função da Copa do Mundo, o aumento da taxa de juros e as condições adversas de um dos principais mercados dos produtos gaúchos: a Argentina.
O que se observa é que a retração da atividade fabril gaúcha, em 2014, foi generalizada, atingindo 13 dos 14 segmentos pesquisados pelo IBGE. As maiores quedas foram registradas nos ramos de metalurgia (-16,6%) e de veículos automotores (-7,0%). Neste último caso, o resultado é explicado, em grande medida, pelas restrições impostas pela Argentina às importações de produtos brasileiros, as quais contribuíram para que as exportações gaúchas do setor automotivo sofressem redução de 29,9%.
O mau desempenho desses segmentos teve reflexo sobre outros ramos que compõem o complexo metal-mecânico, como produtos de metal (-5,3%), máquinas e equipamentos (-4,1%) e borracha e plástico (-4,6%), que, em conjunto, foram determinantes para o resultado do ano, uma vez que respondem por 36% do Valor da Transformação Industrial (VTI) do Estado.
A retração de 2014 colocou a produção industrial em níveis próximos aos verificados em 2007, configurando, assim, um período de sete anos de baixo dinamismo da indústria gaúcha. A retomada de um crescimento sustentado do setor dependerá, cada vez mais, da priorização de ganhos de produtividade e do consequente aumento da competitividade dos produtos manufaturados.

Produção física industrial do Rio Grande do Sul — 2014
 ATIVIDADES INDUSTRIAIS  VARIAÇÃO PERCENTUAL (1)
 Indústria de transformação   -4,8
 Fumo  1,1
 Bebidas  -0,6
 Derivados de petróleo e biocombustíveis -2,0
 Alimentos  -2,2
 Papel e celulose -3,0
 Minerais não metálicos  -4,1
 Máquinas e equipamentos -4,1
 Borracha e plástico -4,6
 Produtos de metal  -5,3
 Couro e calçados -5,7
 Outros produtos químicos -5,9
 Móveis -6,6
 Veículos automotores  -7,0
 Metalurgia -16,6

FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF).
(1) Variação percentual acumulada entre janeiro e novembro, em relação ao mesmo período do ano anterior.

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