Desaceleração do PIB trimestral do RS e os indicadores da PNAD Contínua

Desde o segundo trimestre de 2014, a economia gaúcha, em sincronia com a nacional, passa por uma forte desaceleração. Ao se observarem os indicadores de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), nota-se que o indicador sobre o mesmo trimestre do ano anterior está em queda há cinco períodos, isso apesar do desempenho excepcional da colheita da soja no segundo trimestre de 2015. No indicador dos últimos quatro trimestres sobre os quatro trimestres anteriores, identifica-se uma forte desaceleração em 2014, com o ano terminando com uma taxa negativa de 0,3%, depois de crescer de 6,7% em 2013, resultando em uma economia estagnada. Já em 2015, a recessão do Rio Grande do Sul aprofunda-se, recuando 0,9% ao final do primeiro semestre, com o comércio, que se manteve ainda estável em 2014, caindo 7,3%.

Outra forma de observar a conjuntura econômica no Estado são os indicadores de ocupação e renda da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerando a mesma abrangência e periodicidade, seus indicadores trimestrais representam a contrapartida em termos de emprego e renda da atividade econômica.

Conforme o gráfico, que reúne as taxas de crescimento dos últimos quatro trimestres do PIB, da ocupação, do rendimento real médio e da massa de rendimentos reais, as duas pesquisas complementam-se na descrição da crise em que a economia gaúcha entrou em 2014. Do último trimestre de 2013 para o primeiro de 2014, todos os quatro indicadores mantiveram taxas de expansão significativas. Já no segundo trimestre de 2014, o crescimento do PIB teve um forte recuo, acompanhado por reduções menos significativas na variação das ocupações e rendas. No terceiro trimestre de 2014, os indicadores da PNAD também tiveram uma forte retração, chegando ao último trimestre desse ano com todas as variáveis diminuindo para valores próximos a zero. Nos dois primeiros trimestres de 2015, o PIB e as ocupações continuaram a cair, mas os rendimentos e a sua massa real recuaram ainda mais, devido ao crescimento da inflação.

Com base no exposto, pode-se conjecturar que a forte diminuição da massa de rendimentos, em 2015, veio a se somar aos fatores que deram início à desaceleração iniciada em 2014, ampliando a atual recessão econômica no Estado.

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