Desaceleração da indústria gaúcha em 2011

Depois da forte recuperação da atividade industrial que caracterizou o ano de 2009, a indústria gaúcha adentrou em um período de estagnação relativa, marcado por uma persistente trajetória oscilatória, com o agravante de ainda continuar abaixo do nível pré-crise de 2008. Nos últimos 18 meses, o indicador de produção física industrial do IBGE, na série livre de influências sazonais, alternou movimentos mensais de expansão e de queda, de modo a situar-se, em julho de 2011, apenas 1,2% acima do verificado em janeiro de 2010, último mês da trajetória ascendente pós-crise. No acumulado dos primeiros sete meses de 2011, comparado com igual período de 2010, a variação da produção da indústria de transformação foi de apenas 1,4%; no acumulado em 12 meses, houve recuo pelo nono mês consecutivo (1,5% em julho de 2011), evidenciando o quadro de desaceleração da indústria no Estado.

A continuidade da valorização cambial e o novo ciclo de elevação da taxa básica de juros Selic, paralelamente às medidas de restrição ao crédito adotadas, nos últimos meses de 2010, em resposta à deterioração do controle da inflação, configuraram um cenário desfavorável para a indústria gaúcha no período analisado.

A perda de dinamismo da atividade industrial também pode ser observada nos demais indicadores, mas, principalmente, na medida da produtividade do trabalho, obtida pela razão entre a produção industrial e o número de horas pagas. Assim, verifica-se que, na comparação dos primeiros sete meses de 2011 com o mesmo período de 2010, a produtividade apresentou uma queda de 0,9%. É a diminuição expressiva do ritmo de crescimento da produção física industrial no período que melhor explica essa diferença de resultados, uma vez que a evolução do número de horas pagas é mais estável. Já o comportamento do emprego foi positivo no acumulado do ano até julho, com expansão de 2,8%, o que se converteu em elevação da folha de pagamento e, em consequência, dos custos da mão de obra industrial, uma vez que não foi acompanhada por aumento de produtividade.

Dos ramos industriais pesquisados mensalmente pelo IBGE, 50% apresentaram redução da atividade no acumulado dos primeiros sete meses de 2011, em comparação com igual período de 2010, com destaque para refino de petróleo e álcool (-9,8%), celulose, papel e produtos de papel (-6,8%) e metalurgia básica (-5,7%). Dentre os que mantiveram uma trajetória ascendente, sobressaem-se máquinas e equipamentos (12,0%), fumo (10,3%) e alimentos (5,1%).

A maior parte dessas atividades teve perda de produtividade em 2011, sendo a mais expressiva o refino de petróleo e álcool, que, inclusive, já havia registrado perdas em 2010, por conta de problemas vinculados à exportação e à diminuição da produção de óleo diesel e naftas para a petroquímica. Também foi a queda na produção que motivou as perdas na produtividade do trabalho das atividades de fabricação de celulose e papel e metalurgia básica. Já o recuo em alimentos e bebidas parece ter sido motivado pelo incremento no pessoal ocupado e pelo número de horas pagas em intensidade superior ao crescimento da produção industrial. Os maiores ganhos ocorreram no segmento de fumo, porém em decorrência da combinação de aumento na produção e diminuição de número de horas trabalhadas e de pessoal ocupado.

Um dos principais desafios das indústrias gaúcha e brasileira é, pois, aumentar sua produtividade, o que passa pelo aumento de investimentos em tecnologia e em inovação, de modo a capacitar as empresas a enfrentarem a concorrência, cada vez mais acirrada, no mercado tanto externo como interno. O Plano Brasil Maior e suas medidas destacam-se ao reconhecer a importância do setor industrial para a sustentação do crescimento econômico, podendo contribuir para o processo de recuperação da competitividade de importantes setores da indústria nacional.

Nos próximos meses, dificilmente a atividade industrial gaúcha irá alterar de modo significativo sua trajetória de desaceleração, não obstante a nova política industrial, a queda na taxa de juros e a desvalorização do real, em virtude dos seus efeitos retardados sobre a produção.

Desaceleração da indústria gaúcha em 2011

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