Crise nas indústrias do Brasil e do RS, em 2015

O Brasil está atravessando uma das maiores crises econômicas de sua história, e, por consequência, o RS tem acompanhado essa trajetória. Essa situação está associada a fatores de natureza econômica e política. É na indústria de transformação que se observam os seus impactos mais significativos. No entanto, um dos fatores determinantes da atual conjuntura está relacionado com as baixas produtividade e competitividade da economia brasileira. O cenário para o RS não é diferente. O lento crescimento do mercado interno brasileiro, associado à queda nos investimentos em âmbito nacional, atua diretamente sobre a produção industrial gaúcha e, consequentemente, explica o resultado observado na economia do Estado.

Em 2015, o desempenho da economia brasileira pode ser observado a partir da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado acumulado no ano aponta uma retração de 3,8% do PIB em relação a 2014. Essa foi a pior queda registrada na série histórica, iniciada em 1996. Como consequência, o PIB per capita sofreu uma diminuição de 4,6% em relação ao ano anterior. A queda do PIB no Brasil deveu-se à retração de 3,3% do Valor Adicionado a preços básicos e de 7,3% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

A indústria de transformação, no Brasil, sofreu uma queda, em volume, de 9,7% em 2015, comparando-se a 2014. Essa redução foi influenciada principalmente pela queda do Valor Adicionado das indústrias automotiva — incluindo peças e acessórios —, de máquinas e equipamentos, de aparelhos eletroeletrônicos e equipamentos de informática, de alimentos e bebidas, de artigos têxteis e do vestuário e de produtos de metal. O volume de produção física da indústria, medido pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE, mostra que esses setores tiveram variação de -25,9% na fabricação de veículos, reboques e carrocerias, -14,6% na fabricação de máquinas e equipamentos, -30,1% na fabricação de equipamentos de informática, -2,3% na fabricação de alimentos, -5,4% na fabricação de bebidas, -14,6% na fabricação de produtos têxteis, -11,1% em vestuário e de -11,4% na fabricação de produtos de metal. Além dessas atividades, as variações no volume de produção foram negativas para as demais atividades na indústria de transformação brasileira.

Na série comparável com os resultados divulgados pelo IBGE, o PIB do RS acumulado em 2015, divulgado recentemente pela FEE, apresentou retração de 3,4%. Em sua composição, os impostos caíram 8%, e o Valor Adicionado Bruto (VAB), 2,7%. Apesar de o PIB do Estado ter sido marcado pelo desempenho negativo em quase todos os setores, com exceção da agropecuária (13,6%), a principal contribuição para essa retração foi da indústria de transformação, que acumulou queda de 13,5% em 2015 comparado a 2014.

O resultado da indústria de transformação gaúcha pode ser explicado pelo desempenho do segmento metalmecânico, que detém grande participação da estrutura do VAB industrial. O segmento, composto pelos setores de metalurgia, produtos de metal, máquinas e equipamentos e automotivo, apresentou queda expressiva do volume de produção em 2015. O comportamento dessas atividades na indústria gaúcha decorre da continuidade da queda dos investimentos na economia nacional e da restrição do crédito para o setor. Os únicos destaques positivos na indústria gaúcha foram os setores de fabricação de celulose e derivados, cujo crescimento resultou da expansão da nova planta industrial destinada à exportação, e de fabricação de produtos químicos (petroquímico), que obteve resultados positivos através do aumento das exportações, beneficiadas pela desvalorização cambial e pela redução do preço da matéria-prima no mercado internacional.

Para 2016, pode-se esperar um melhor desempenho das atividades que possuam maior potencial para aproveitar a desvalorização cambial e ganhar mercados externos, como o exemplo de calçados e químicos. No entanto, diante da estrutura da indústria gaúcha, a recuperação do crescimento irá depender da conjuntura da economia nacional e, principalmente, da retomada dos investimentos no País. Contudo promover o crescimento sustentado e duradouro requer, também, a promoção de políticas industriais, tecnológicas e educacionais capazes de proporcionar ganhos de produtividade e de competitividade necessários para a economia brasileira.

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