Crescimento moderado do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre até setembro de 2012

O comportamento do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), no período de janeiro a setembro de 2012, mostrou-se favorável no que respeita à ocupação e ao desemprego, mas registrou queda no rendimento médio real do trabalho, segundo informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA). Todavia, na comparação com os dois anos anteriores, a tônica é uma nítida desaceleração frente ao desempenho mais positivo revelado naquele período, especialmente em 2010. No âmbito da economia, os resultados também caminham nessa direção. Ou seja, embora os impactos da crise internacional tenham sido mais brandos no Brasil, o recrudescimento da crise em período recente, especialmente na Zona do Euro, vem afetando a economia brasileira, que deverá crescer abaixo dos 2% em 2012. No Rio Grande do Sul, os dados para o período são negativos: o PIB do primeiro semestre do ano caiu 4,1% frente a igual período do ano anterior, e as exportações, nos primeiros nove meses, recuaram 9,1% na mesma base comparativa. Para esse comportamento, contribuíram, principalmente, a severa estiagem que atingiu o Estado e a desaceleração das economias avançadas.

Tal desempenho da economia vem refletindo-se no mercado de trabalho da RMPA, constatando-se, para 2012, crescimento mais moderado do nível ocupacional no confronto com o verificado em anos anteriores. Ou seja, o grau de absorção de mão de obra na Região, considerando cada mês frente ao mesmo do ano anterior, vem sendo sistematicamente inferior em 2012, face ao ocorrido no confronte entre 2011 com 2010, exceção feita ao mês de julho, quando a variação foi idêntica. Em consequência, tomando-se os meses de setembro de cada ano, enquanto foram incorporados ao mercado de trabalho 49 mil novos trabalhadores entre 2010 e 2011, houve redução de 14 mil entre 2011 e 2012. Esse resultado reflete o comportamento da ocupação nos principais setores de atividade, com queda na indústria de transformação (-25 mil pessoas) e em comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-13 mil) e aumento nos setores de serviços e da construção civil, embora não suficiente para contra-arrestar a diminuição nos demais.

A taxa de desemprego total vem declinando desde 2010, mas em ritmo mais moderado nos dois últimos anos. Assim, em setembro de 2012, a taxa de desemprego foi de 6,9% da População Economicamente Ativa (PEA), frente aos 7,7% registrados em setembro do ano anterior e aos 8,5% de setembro de 2010. Cabe ressaltar que, para 2012, a queda na taxa de desemprego ocorreu pela diminuição da oferta de trabalho, visto que a PEA teve redução de 32 mil pessoas entre set./11 e set./12, ao contrário dos dois anos anteriores, em que o crescimento da ocupação foi o responsável pela retração da taxa.

O rendimento médio real do trabalho, por seu turno, vem tendo evolução semelhante. Assim, em agosto de 2012, o valor de R$ 1.517 situava-se 0,3% abaixo daquele do mesmo mês do ano anterior. Essa variação foi idêntica à registrada para 2011 nessa base comparativa, mas inverte o desempenho positivo de 2010, quando houve aumento de 4,2%. Esse comportamento do rendimento médio real, associado ao fraco crescimento da ocupação, resultou em uma elevação também mais moderada da massa de rendimentos reais, de apenas 0,6% entre ago./12 e ago./11, percentual abaixo do registrado nos dois anos anteriores, nessa mesma comparação (2,6% em 2011 e 6,5% em 2010).

Portanto, a evolução dos principais indicadores do mercado de trabalho da RMPA para o ano de 2012, até setembro, respalda a avaliação de que estaria havendo um arrefecimento do desempenho mais favorável apresentado desde 2010.

Nesse contexto, o desempenho do mercado de trabalho regional para 2012 está a depender de vários fatores, internos e externos, que nem sempre caminham em uma mesma direção. No âmbito interno, como fatores positivos, o Governo Federal vem tomando medidas de estímulo à atividade econômica e ao consumo das famílias. Entretanto especula-se a respeito da capacidade de endividamento das famílias, cuja demanda tem sustentado o crescimento do PIB nos últimos anos. Quanto às exportações gaúchas, é mais provável que elas devam continuar a sofrer os impactos negativos da crise internacional.

Desse modo, mesmo que a economia venha tendo performance mais positiva no segundo semestre, permanecem incertezas de várias ordens, desenhando-se um cenário indefinido para os próximos meses, especialmente devido ao fato de que as circunstâncias externas continuam muito difíceis, destacando-se como principais fatores adversos a continuidade da crise europeia, o débil crescimento da economia dos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa.

Crescimento moderado do mercado de trabalho da Região

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