Crescem as importações

No Brasil, de janeiro a setembro de 2005, as exportações atingiram US$ 86,7 bilhões; e as importações, US$ 54,1 bilhões. No RS, nestes primeiros nove meses do ano, os valores foram, respectivamente, de US$ 7,8 bilhões e US$ 4,9 bilhões. No caso brasileiro, comparando-se com o mesmo período de 2004, o crescimento das exportações (23,9%) foi superior ao das importações (19,6%), a despeito da apreciação cambial. Já no Estado, os reflexos do câmbio apreciado, aliados principalmente aos problemas climáticos, proporcionaram um crescimento das exportações de apenas 4,5%, bem inferior ao das aquisições do exterior (28,6%). Tanto o incremento das exportações quanto o das importações nacionais e estaduais deveram-se, em especial, à elevação dos preços das mercadorias no mercado internacional, como foi o caso de algumas commodities.

Comparando-se os dados de importação das economias brasileira e gaúcha, percebe-se que esta última apresenta uma pauta mais concentrada em relação tanto aos produtos quanto à origem dos bens adquiridos no mercado externo. Os capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que registraram os maiores valores importados, de janeiro a setembro corrente, foram combustíveis e reatores, máquinas e mecânicos, que, juntos, participaram com 34% no Brasil e 57% no RS do total adquirido no exterior.

Analisando-se os dados do País por setores de contas nacionais, os mais representativos na pauta importadora foram: os bens intermediários (43,8%), com ênfase nos insumos industriais, seguidos das aquisições de bens de capital (29,5%) e de combustíveis e lubrificantes (18,1%). Já nas importações gaúchas, destacaram-se os combustíveis e lubrificantes (46,7%), seguidos dos bens intermediários (31,7%), em particular os insumos industriais, e dos bens de capital (17,3%). Com a valorização do real, as importações de bens de capital e de insumos industriais podem estar Contribuindo para explicar parte do acréscimo das exportações, tendo em vista o aumento da competitividade externa, graças aos menores custos de produção, à melhoria na qualidade dos produtos e a aumentos das operações de drawback, diminuindo o impacto da apreciação cambial nas exportações.

Argentina, Nigéria e Argélia representaram, juntos, 53% do valor importado pelo RS de janeiro a setembro, sendo esses países os principais fornecedores de combustíveis ao Estado. No nível nacional, as principais origens, por ordem decrescente de participação, foram: Estados Unidos, Alemanha, Argentina, China, Japão, Argélia e França, que, juntos, participaram com 57,3% das importações. A representatividade dos produtos argentinos na pauta gaúcha continua superior à nacional, fruto do grande crescimento das aquisições de veículos (625%) e de produtos químicos orgânicos (387%), como o etilbenzeno.

Ao se analisarem as importações tanto do País quanto do Estado, deve ser destacado o papel crescente que vem sendo desempenhado pela China, da qual, no Brasil, nos primeiros nove meses de 2005, salientaram-se, pelo seu valor, as aquisições de produtos eletrônicos e têxteis e, no RS, as de máquinas e aparelhos mecânicos e de calçados. Essa situação gerou um pedido de salvaguarda contra produtos chineses, em particular para os produtos têxteis e os calçados, os quais vêm entrando no mercado nacional com preços muito baixos, concorrendo diretamente com o produtor nacional. Destarte, os setores que se sentirem prejudicados pela alta das importações oriundas da China poderão manifestar-se, desde que comprovem o dano ou a ameaça de dano, uma vez que essas salvaguardas estão previstas na Organização Mundial de Comércio.

Crescem as importações

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