Cresce o tempo médio despendido na procura por trabalho na RMPA

Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) mostram que, entre os desempregados no primeiro semestre de 2014, 4,4% estavam nessa condição há mais de um ano. No primeiro semestre de 2015, a participação foi de 5,0% e, em igual período de 2016, subiu para 7,7%.

No período, o contingente médio de desempregados por semestre aumentou de 112 mil pessoas em 2014 para 145 mil em 2015 (29,2%) e para 197 mil em 2016 (34,5%). Esse crescimento alterou a distribuição da população desocupada por tempo de procura por emprego.

No primeiro semestre de 2014, o tempo médio de procura de ocupação foi de 143 dias; aumentou para 187 dias no primeiro semestre de 2015, e, no último semestre analisado, o tempo médio subiu para 208 dias. A diferença entre os primeiros semestres de 2014 e de 2016 foi de 65 dias a mais.

Nos primeiros seis meses de 2014, a proporção dos que estavam sem emprego por até 30 dias caiu de 28,1% para 24,5% em 2015 e para 12,9% em 2016. O percentual dos indivíduos que estavam procurando emprego por um período entre um e sete meses aumentou de 56,0% para 57,5% e depois caiu para 53,7% do total de desempregados no primeiro semestre de 2016.

Nas duas faixas de maior tempo de procura, a participação do contingente de desempregados entre sete meses e um ano aumentou de 11,6% em 2014 para 13,0% em 2015 e para 25,8% no primeiro semestre de 2016. Para os que estavam procurando emprego há mais de um ano, o percentual subiu de 4,4% em 2014 para 7,7% em 2016 (gráfico).

O tempo médio em situação de desemprego para os homens aumentou de 142 dias no primeiro semestre de 2014 para 212 dias no mesmo período de 2016. Para as mulheres, nessa mesma base de comparação, houve um salto de 146 para 211 dias.

O que pode estar provocando esses movimentos são a redução do número médio de postos de trabalho em 130 mil (ou -7,2%) entre os primeiros semestres de 2014 e de 2016 e a queda da taxa de participação, que era de 54,6% no primeiro semestre de 2014 e passou para 52,7% em 2016, provocada pela diminuição da ocupação e pelo aumento do contingente de inativos. Nesse estado de recessão, a redução do rendimento médio real do trabalhador, que caiu 14,4% entre janeiro de 2014 e junho de 2016, poderia provocar um crescimento do contingente em busca de emprego com o objetivo de repor a renda familiar, mas isso não aconteceu, pois, entre os primeiros semestres de 2015 e de 2016, ocorreu uma redução de 45 mil indivíduos (-2,3%) da População Economicamente Ativa (PEA).

Mesmo com a deterioração verificada no mercado de trabalho, a situação ainda está longe de mostrar os indicadores verificados no final da década de 90. Ainda é raro, por exemplo, que o tempo de busca por uma ocupação seja superior a um ano, como ocorria no final da década em questão. Considerando-se o ano de 1999, por exemplo, o tempo médio despendido na procura por trabalho era de 330 dias, e o tempo médio entre os indivíduos que procuravam uma ocupação por mais de um ano era de 2,5 anos. Também houve taxas de desemprego recordes, como a ocorrida em outubro de 1999, a maior em toda a série da PED-RMPA. Outro aspecto com que se deve preocupar é o retorno aos índices de informalidade apurados nos últimos anos da década de 90. Se agora há uma participação média de trabalhadores informais de 35,6% (trabalhadores assalariados sem carteira assinada, autônomos, empregados domésticos e outras ocupações), na média dos anos 90, o percentual dessas mesmas ocupações sobre o total dos ocupados ficou em 43,8%.

O problema do desemprego não é uma simples equação. O fato é que ele é um problema social, que resulta do desempenho da economia. Com os ajustes econômicos e sociais ocorridos nos últimos dois anos, o mercado de trabalho deteriorou-se. Os responsáveis pelos ajustes de políticas econômicas devem sempre ter em mente que é preciso minimizar essa vazão de ocupações. São necessárias medidas anticíclicas para que não se retorne aos indicadores do mercado de trabalho verificados na década de 90. Entretanto, a adoção de medidas econômicas austeras para o controle do déficit público só tende a piorar a situação do mercado de trabalho na RMPA e no Brasil.

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