Construção civil: retração ou acomodação?

A indústria da construção civil, que vinha apresentando um forte dinamismo nos últimos anos, não repetiu esse comportamento em 2012. Uma das causas dessa desaceleração relaciona-se à expansão, aquém da esperada, dos investimentos públicos em infraestrutura. Conforme pesquisa do Sinduscon-SP/FGV/Ibre, o volume de recursos desembolsados pelo BNDES para esse tipo de obras foi de R$ 49,1 bilhões até setembro de 2012. Isso representa 12% a menos que os R$ 56,1 bilhões liberados entre janeiro e setembro de 2011.

A construção civil no RS também apresentou uma desaceleração em 2012, como mostra o Índice de Atividade da Construção, medido pelo Sinduscon-RS. O setor deu mostras de um desempenho elevado e sempre crescente nos anos 2009, 2010 e 2011. Entretanto, em 2012, após passar por instabilidades no primeiro semestre, a atividade iniciou uma trajetória descendente, sinalizando uma diminuição significativa no segundo semestre, embora ainda não se tenha a série completa.

Considerando a importância da construção civil — tanto pela geração de empregos como pelos efeitos em cadeia que é capaz de engendrar — é compreensível que o Governo Federal tenha tomado medidas para compensar o arrefecimento recente. Em dezembro de 2012, foram anunciadas reduções na tributação das empresas do setor, como a desoneração da folha de pagamento, no intuito de diminuir os custos de produção e estimular a contratação de mão de obra. Foi concedida também uma redução na alíquota do Regime Especial de Tributação (RET), que reúne vários impostos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS). Adicionalmente, as empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões poderão se beneficiar de uma linha especial de crédito para capital de giro, junto à Caixa Federal, a juros de 0,94% a. m. e prazo de até 40 meses.

Em face dos incentivos governamentais diretos para o setor e das perspectivas que se anunciam positivas (manutenção de uma taxa de juros reduzida, investimentos em infraestrutura com vistas aos eventos esportivos internacionais e ampliação do Programa Minha Casa Minha Vida), é de se esperar que o arrefecimento reflita sobretudo um período de acomodação, quando o ritmo de atividade passaria por ajustes, porém ainda mantido num patamar bastante elevado.

Construção civil retração ou acomodação

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