Constrangimentos à continuidade do crescimento industrial

A atividade econômica vem mantendo, ao longo de 2004, uma trajetória de expansão, impulsionada pelos sucessivos recordes nas exportações e pela moderada recuperação do mercado interno.

No indicador acumulado jan.-ago./04, a produção industrial brasileira cresceu à taxa de 8,8% em relação a igual período do ano anterior, registrando taxas elevadas em quase todas as categorias de uso, com destaque para os bens de capital e para os bens duráveis de consumo. A retomada da trajetória de crescimento estimulou o aumento das horas trabalhadas e elevações, embora menos expressivas, nos níveis de emprego e salários, disseminando, para outros setores, a expansão da atividade fabril. Com efeito, a partir do segundo trimestre, observa-se uma recuperação modesta das atividades mais dependentes da demanda interna.

Tal expansão elevou os níveis de utilização da capacidade instalada do setor industrial (grau médio de 83,9% em agosto), aproximando muitos setores dos seus limites, como é o caso do segmento de bens intermediários, especialmente metalurgia, papel e papelão, borracha, petroquímica e têxtil.

O mesmo comportamento expansionista é observado em todos os estados pesquisados pelo IBGE, com exceção do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, o indicador acumulado alcançou a taxa de 8,2%, ligeiramente inferior à média nacional. Os melhores desempenhos ficaram com os setores exportadores (agroindústria e máquinas e equipamentos), dando continuidade a uma tendência já diagnosticada anteriormente. O segmento produtor de bens semiduráveis e não duráveis, à exceção de fumo e bebidas (respectivamente, 31,08% e 6,50%), repete o fraco desempenho observado em anos anteriores (vestuário e acessórios, -4,4%; alimentos, -0,16%).

Embora haja uma previsão de continuidade de crescimento no curto prazo, a questão que se coloca é sobre até quando será possível mantê-lo. O segmento produtor de bens intermediários, um dos principais gargalos do crescimento industrial, apesar de registrar taxas elevadas de expansão em quase todas as atividades, vem tendo dificuldades em suprir a demanda da indústria. O indicador acumulado jan.-ago./04 mostra um bom desempenho nas atividades produtos de metal e borracha e plástico, em nível tanto nacional quanto regional.

Apesar desse bom desempenho, a produção de bens intermediários, no Rio Grande do Sul, representa apenas 6%
da produção nacional desses bens, mas, na estrutura industrial gaúcha, ocupa a segunda posição (29%), com destaque para outros produtos químicos e produtos de metal.

Parte das dificuldades vêm sendo sanadas pelo aumento das importações de insumos, matérias-primas, máquinas e equipamentos e pela retomada dos investimentos, porém ainda em níveis insuficientes para garantir uma retomada sustentada do crescimento.

Os gargalos de infra-estrutura e de insumos básicos podem já, no médio prazo, comprometer as exportações e limitar o crescimento potencial, exigindo, portanto, medidas de apoio, públicas e privadas, para o equacionamento dos entraves.

O passo inicial foi dado com a modernização e a ampliação dos portos, viabilizadas pelo programa Reporto, enquanto o transporte rodoviário, dependente da implementação de programas do tipo parceria público-privada, continua aguardando decisões do Legislativo. Os fabricantes de insumos básicos, por sua vez, além das reivindicações de juros menores, solicitam políticas específicas para o setor.

Produção física industrial e valor da transformação industrial total e dos bens intermediários no Brasil e no Rio Grande do Sul — 2002 e jan.-ago./04

Constrangimentos à continuidade do cr

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