Concentração de renda na RMPA

Um dos principais problemas do Brasil constitui-se na concentração de renda de seus habitantes. Os últimos dados da ONU sobre distribuição de renda apontam o Brasil como sendo o 113º colocado entre 116 países analisados, atrás do Brasil encontram-se somente os países da Suazilândia, República Centro-Africana e Serra Leoa.

O índice de Gini é o indicador utilizado, internacionalmente, para medir a concentração de renda dos países. Esse índice varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1 for o valor apurado, maior será a concentração de renda, enquanto valores próximos a 0 indicam uma distribuição mais igualitária da renda. O índice de Gini para o Brasil encontra-se no patamar de 0,60; enquanto países avançados, como Áustria, Suécia e Bélgica, apresentam índices inferiores a 0,30. Outros países sul-americanos apresentam índices bem mais favoráveis que o do Brasil, como são os casos da Bolívia (0,447), do Equador (0,437) e do Uruguai (0,423).

Concentração de renda na RMPA

Os níveis de concentração de renda variam bastante entre as diversas regiões do Brasil. Uma das medidas utilizadas para verificar a concentração de renda é calcular a relação entre os maiores e os menores rendimentos. Segundo um estudo realizado pelo DIEESE reunindo dados de seis regiões metropolitanas do País para o ano de 1999, a Região Metropolitana de Porto Alegre foi apontada como sendo a que possui melhor distribuição de renda: os 25% das famílias com rendimentos maiores ganham aproximadamente 15 vezes mais que os rendimentos dos 25% das famílias com rendimentos menores. Essa relação é de 21 vezes para as Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte; situação mais grave quanto à distribuição de renda vivem as famílias das Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador e Distrito Federal, onde a relação chega a 26, 29 e 33 vezes respectivamente.

A partir de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi possível calcular o índice de Gini considerando somente a renda oriunda do trabalho principal dos ocupados para os anos de 1993 e 2001. Esse índice difere do índice calculado pelo IBGE com base nos dados demográficos, que utiliza somente a renda total do chefe do domicílio.

Os resultados desse estudo mostram que, nesses oito anos, não houve mudança na estrutura da distribuição de renda na RMPA, apesar da estabilidade econômica experimentada em quase todo esse período. Para o ano de 1993, o coeficiente para a RMPA ficou em 0,481, enquanto, em 2001, se manteve praticamente estável, alcançando 0,475. Os 10% dos trabalhadores da RMPA com menores rendimentos permaneceram recebendo apenas 1,7% da massa total de rendimentos nesse período. O percentual da renda recebido pelos 50% dos trabalhadores com menor rendimento aumentou de 18,8% para 19,5%, porém os 10% dos trabalhadores com rendimentos maiores recebiam 36,4% da massa total em 1993 e 37,2% em 2001.

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