Comportamento heterogêneo do “complexo metal-mecânico”

O conjunto das indústrias metalúrgica, mecânica, de material elétrico e de comunicações e de material de transporte representa o chamado “complexo metal-mecânico”, que leva esse nome em função das matérias-primas com que trabalha, da articulação em nível de fornecedores e de mercado consumidor e também de uma base técnica em comum (BAHIA e outros, texto nº 786, IPEA, 2001).

O peso do “complexo metal-mecânico” na indústria gaúcha é bastante significativo, uma vez que ele é responsável por aproximadamente 25% do valor da transformação industrial (VTI). Esse peso, aliado ao fato de que seu desempenho traz conseqüências a outros setores econômicos, faz com que esse grupo de indústrias desempenhe um papel multiplicador importante na indústria gaúcha. Com efeito, a noção de complexo industrial — em sua acepção ampla — não prevê um comportamento autárquico em relação ao resto da economia, mas, ao contrário, é sabido que os complexos industriais interagem também com os setores da economia que lhes são exteriores.

O comportamento dos gêneros integrantes do “complexo metal-mecânico” foi bastante heterogêneo em 2003. Tomando por base a produção física através do índice acumulado de 12 meses, tem-se que: a indústria metalúrgica cresceu 4,0%; a mecânica, 23,2%; e a de material de transporte cresceu 8,7%. A indústria de material elétrico e de comunicação foi o único gênero integrante do “complexo metal-mecânico” a apresentar uma taxa negativa: -4,6%. Esse fato deve ser relativizado em função do peso do gênero, que não passa de 3,9% do VTI da indústria de transformação do Estado.

Sobressai o desempenho da indústria mecânica, cuja taxa de expansão foi seis vezes superior à do conjunto da indústria de transformação, que foi de 3,8%. Essa performance pode ser explicada pelo setor de máquinas e implementos agrícolas, que influencia fortemente a indústria mecânica no Estado. O dinamismo excepcional do agronegócio provocou uma expansão da demanda por tratores e máquinas agrícolas (incluindo peças de reposição). O mercado externo também contribuiu para o desempenho do setor, uma vez que as máquinas agrícolas estão entre os produtos principais da pauta de exportações do Rio Grande do Sul em 2003. Há ainda a considerar o estímulo do Moderfrota, programa de crédito para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas produzidos no País.

Quanto aos demais gêneros integrantes do “complexo metal-mecânico”, destaca-se também a indústria de material de transporte, que teve um comportamento bastante satisfatório em 2003, basicamente em função da produção de cabines e carrocerias para veículos automotores destinadas à exportação.

Como aqui ficou constatado, os setores da indústria gaúcha pertencentes ao chamado “complexo metal-mecânico” apresentam significativa disparidade no que concerne aos índices de produção física, o que pode ser considerado um indício da existência de outras heterogeneidades no interior desse complexo industrial, que vão além da quantificação da produção.

Comportamento heterogêneo do “complexo

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