Comércio retoma o crescimento

Depois de um período de crise, o comércio gaúcho começa a apresentar um crescimento significativo no primeiro semestre de 2007, acompanhando o bom desempenho dos outros setores da economia.

Desde junho de 2007, a FEE, no âmbito da parceria com a Fecomércio-RS e com a Secretaria da Fazenda, expandiu a cálculo do Índice de Vendas no Varejo (IVV), calculando um indicador adicional para o atacado e compondo os dois indicadores num indicador geral para o comércio: o Índice de Vendas do Comércio (IVC). Com esse indicador, tem-se uma medida do desempenho do comércio a partir da movimentação do ICMS. Há uma desagregação para 20 setores e, geograficamente, para macro e microrregiões e para os principais municípios do Estado.

Quanto ao desempenho dos municípios, observa-se que Porto Alegre apresentou um crescimento de 7,9% no primeiro semestre de 2007, seguido por Passo Fundo (7,7%) e Canoas (7,2%). Pelotas cresceu apenas 0,4%. Na medida em que o setor industrial tende a responder mais rápido aos impulsos do crescimento, observa-se que municípios mais industrializados iniciam o processo de crescimento com primazia, e o comércio, conseqüentemente, aponta a mesma dinâmica. Pelotas e os demais municípios da região sul ressentem-se de uma estagnação estrutural e, por serem pouco industrializados, à exceção de Rio Grande, tem o desempenho do comércio associado ao da agropecuária, que não vem crescendo significativamente nessa região. Ou seja, não há garantia, para esses municípios, de que o crescimento chegue ao natural após algum tempo. O desempenho desigual do comércio entre os municípios, de alguma forma, reflete os desequilíbrios regionais do Estado.

Setorialmente, o crescimento das vendas do comércio foi mais expressivo no atacado (10,8%) do que no varejo (4,3%). Os setores podem ter dinâmicas diferentes, em razão da determinação geográfica dos mercados. No varejo, os mercados tendem a ser locais, enquanto, no atacado, tendem a ser mais amplos. Por exemplo, as vendas de uma empresa atacadista localizada numa região economicamente deprimida podem estar crescendo simplesmente porque se destinam a mercados em crescimento não locais, enquanto, no varejo, há menor possibilidade de haver uma dissociação regional entre comprador e vendedor.

O forte desempenho do atacado reforça os indícios de crescimento da economia gaúcha, sobretudo porque os setores mais destacados foram os de máquinas e equipamentos e matérias-primas agropecuárias, que cresceram 17,9% no primeiro semestre de 2007. Mesmo que as vendas desses setores não sejam destinadas somente ao Estado, é possível observar um aumento no investimento, que passa geralmente pelo atacado, dando mais consistência ao crescimento da economia.

O cenário de aumento na oferta de crédito ao consumidor também tem contribuído de maneira destacada para o crescimento do comércio. Se a turbulência nos mercados financeiros internacionais não deixar seqüelas na perspectiva de queda gradual e contínua das taxas de juros, pode-se esperar um bom desempenho nas vendas de bens duráveis, como o que já se manifesta no setor de veículos.

Comércio retoma o crescimento

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