Comércio bilateral Brasil-China

Assim como ocorreu em relação a outros países e regiões, a participação da China no comércio exterior brasileiro adquiriu, nos anos recentes, uma importância cada vez maior. A corrente de comércio bilateral (exportações mais importações) multiplicou-se por 16 entre 2000 e 2009, refletindo o dinamismo das trocas, enquanto o total do comércio do Brasil com o mundo cresceu apenas duas vezes e meia no mesmo período. De janeiro a setembro de 2010, enquanto as exportações e as importações totais brasileiras registraram crescimento de 29,6% e 45,8%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações brasileiras para a China aumentaram 34,3%, e as importações, 65,2%.

A intensificação do comércio bilateral Brasil-China elevou a participação deste país como fornecedor e como comprador, tornando-a comparável à de outros parceiros comerciais tradicionais do Brasil. Em decorrência desse elevado dinamismo, de janeiro a setembro de 2010, a China foi não só o principal destino das exportações brasileiras — participando com 16,0% do total exportado —, mas também a principal origem das importações, respondendo por 13,8% do total importado.

A natureza do fluxo comercial Brasil-China é quase exclusivamente interindustrial, isto é, consiste na troca de matérias-primas brasileiras por bens manufaturados chineses. Nos nove primeiros meses de 2010, 83,7% das exportações do País para a China foram de produtos básicos, 12,1% de semimanufaturados e apenas 4,2% de manufaturados. Além disso, a pauta continuou excessivamente concentrada em poucos produtos, sendo que soja em grão, minério de ferro e óleos brutos de petróleo responderam por mais de 78% das exportações. Em igual período, as importações dessa origem mostraram-se muito diversificadas e constituídas, essencialmente, por bens manufaturados, tais como máquinas, equipamentos e produtos eletroeletrônicos, bem como peças e componentes para a área de telecomunicações.

No que diz respeito ao comércio exterior do Rio Grande do Sul com a China, esse país também constitui o principal mercado de destino das exportações do Estado, participando com 16,8% do total das exportações gaúchas entre janeiro e setembro de 2010. Do total exportado pelo RS para esse país, a soja em grão responde por 73,0%, o óleo de soja, por 9,7%, e o fumo em folha, por 5,1%, ou seja, assim como ocorre com as exportações brasileiras para a China, o RS também caracteriza-se pela venda de produtos intensivos em recursos naturais e de baixo valor agregado.

O Brasil está aproveitando a elevada demanda chinesa por alimentos, energia, metais e minerais e os bons preços internacionais dessas commodities, o que tem favorecido a melhora dos termos de troca do País. Entretanto o comércio interindustrial não permite explorar integralmente o potencial do relacionamento comercial e de investimentos recíprocos. A característica interindustrial do intercâmbio dificulta uma maior densidade do comércio, restringe as oportunidades para investimentos conjuntos e limita uma inserção mais eficaz do Brasil nas cadeias produtivas da Ásia-Pacífico intensivas no comércio intraindustrial. Além disso, as diferenças na especialização produtiva e comercial restringem o aumento dos investimentos diretos bilaterais e o estabelecimento de alianças produtivas, tecnológicas e comerciais. Mas, apesar de todas essas diferenças, convém ao Brasil esforçar-se para estabelecer uma parceria estratégica com a China, visando integrar as cadeias produtivas e de comercialização da região Ásia-Pacífico, onde há uma integração produtiva em gestação, tendo a China como centro dinâmico.

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