Choque na economia gaúcha

No período pós-Plano Real, de 1995 a 2010, a economia do Rio Grande do Sul cresceu 36,7%, abaixo da taxa do Brasil, de 61,8%. Isso não significa, entretanto, que a velocidade do crescimento do RS tenha sido consistentemente menor que a da economia brasileira durante esses 16 anos. Como regra geral, o RS acompanhou o ritmo do Brasil. Em sete anos (1997, 1999, 2000, 2001, 2003, 2006 e 2007), as taxas de crescimento do Estado foram, inclusive, maiores que as nacionais. Nos anos de 1996 a 2003 e de 2006 a 2010, as taxas médias de expansão do RS e do Brasil foram praticamente iguais. Nos anos de 1995, 2004 e 2005, no entanto, a trajetória da economia gaúcha descolou completamente da nacional, em função de choques econômicos que atingiram o Estado de forma relativamente mais intensa.

Em 1995, o desempenho econômico do RS foi bem inferior ao brasileiro. O Estado caiu 5,0%, ao passo que o Brasil cresceu 3,0%. Setorialmente, a causa da disparidade esteve na indústria de transformação, sendo que a do RS caiu 15,2%. A valorização cambial que se seguiu à implantação do real desestimulou as exportações industriais de todo o País. O impacto sobre as vendas da indústria gaúcha, entretanto, foi maior. A forte dependência de exportações de setores industriais relevantes, como calçados, máquinas e equipamentos e químicos, acarretou forte redução da produção industrial.

Em 2004, a agropecuária do RS caiu 10,6% em função de uma estiagem. O PIB variou 3,3% positivamente, influenciado pelo crescimento de 7,0% da indústria, que acabou sendo pouco afetada, num primeiro momento, pelo mau desempenho do Setor Primário. À estiagem de 2004 seguiu-se a de 2005. O setor agropecuário caiu 17,4% sobre uma base deprimida. A depressão da agropecuária chegou à indústria, através das atividades mais ligadas ao Setor Primário, como as de alimentos, fumo e máquinas e equipamentos. Num segundo momento, a menor renda do campo atingiu o comércio, rebatendo mais uma vez na indústria, agora nas demais atividades. Em 2005, a indústria gaúcha encolheu 5,2%. No período seguinte (2006-10), a agropecuária recuperou-se, crescendo, em média, 12,1% ao ano, bem acima da taxa brasileira. As perdas na indústria persistiram por mais um ano ainda, contaminando a taxa média do período 2006-10. De 2007 em diante, seu crescimento voltou ao mesmo ritmo do da indústria brasileira.

A análise mostra que a economia gaúcha, em condições normais, tende a acompanhar o desempenho da economia brasileira. Por outro lado, fica evidente que o RS é mais suscetível a choques, seja pelo lado da demanda externa, seja por problemas de oferta interna. Em anos de choques, seu desempenho descola-se completamente do da economia nacional. Passado o problema, volta a crescer, sem, no entanto, recuperar as perdas. Disso decorre que, num prazo mais longo, o Estado acaba por apresentar uma taxa de crescimento média inferior à nacional.

Choques na economia gaúcha

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