Censo de 2010 consolida transformações positivas para o mercado de trabalho

A recente divulgação dos dados da amostra do Censo Demográfico 2010 convoca para o exame das mudanças pelas quais passou a sociedade brasileira na primeira década deste século. Do ponto de vista do mercado de trabalho, uma primeira análise dos indicadores confirma, tanto em escala nacional quanto estadual, movimentos de apreciável intensidade, os quais têm um sentido positivo de reversão parcial de históricas insuficiências e precariedades.

Primeiramente, constata-se que, no intervalo intercensitário, a população em idade ativa (PIA) expandiu-se bem mais do que a população total (18,3% versus 12,3% no País; 10,5% contra 5,0% no Rio Grande do Sul), demonstrando que a transição demográfica se encontra em uma etapa em que o mercado de trabalho segue sofrendo crescente pressão de oferta potencial de mão de obra. Pelo lado da taxa de participação, não houve arrefecimento; ao contrário, o percentual de indivíduos em idade ativa que efetivamente participam do mercado de trabalho elevou-se um pouco em ambos os recortes territoriais.

Ainda assim, as taxas de desocupação despencaram. O mercado de trabalho gaúcho não só manteve como ampliou sua vantagem, nesse aspecto, frente ao agregado do País.

O peso que o trabalho agropecuário já teve, no sentido de ocupar uma força de trabalho de que a economia urbana não necessitaria, deu mais um passo em seu histórico recuo.

A forma mais típica de inserção no mercado de trabalho, o emprego, mostrou uma considerável expansão, ao mesmo tempo em que se estendia a formalização dos vínculos de assalariamento. Tanto no País quanto, de modo mais acentuado, no Estado, aumentou a participação dos empregados no conjunto dos ocupados, ao passo que a ausência de registro em carteira decresceu sensivelmente em ambos os casos (mais, proporcionalmente, no nível nacional, mantendo-se, todavia, o diferencial a favor do Rio Grande do Sul nesse quesito).

Merece também registro o fato de que os avanços que vêm sendo divulgados na órbita dos rendimentos não estão associados a uma intensificação do trabalho. Na verdade, o percentual de pessoas que dedicam mais de 44 horas por semana ao conjunto de seus trabalhos sofreu uma pronunciada retração.

Estudos sobre a sustentabilidade desses movimentos são necessários e bem-vindos, mas o saldo da década é, inequivocamente, positivo, como há muito não se via.

Censo de 2010 consolida transformações positivas para o mercado de trabalho

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