Câmbio em 2009: uma incógnita

No último trimestre de 2008, a cotação do dólar subiu devido à incerteza decorrente da crise internacional e não em função dos fundamentos econômicos. Mais do que a queda no superávit comercial do País, foi o movimento de câmbio no mercado financeiro que colaborou de modo decisivo para a desvalorização do real. Apesar dos juros internos elevados, que nos últimos anos atraíram aplicadores externos, a busca pela segurança oferecida pelo dólar predominou sobre a rentabilidade das aplicações em moeda nacional. Muitos aplicadores venderam seus ativos em reais para cobrir prejuízos em outros mercados e também se desfizeram de posições mais arriscadas, em um processo de desalavancagem e de retorno desses recursos para títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Com a maior procura pelo dólar, muitos bancos desmontaram suas posições “vendidas”, onde ganhavam com a apreciação do real, e ficaram “comprados”, apostando na valorização do dólar. Desse modo, o câmbio financeiro, que fechou 2007 com um saldo positivo de US$ 10,7 bilhões, em 2008, registrou um déficit de US$ 48,9 bilhões.

O saldo comercial também caiu em 2008, devido às taxas mais elevadas de aumento das importações em relação às exportações. Para este ano, porém, as dificuldades na balança comercial devem aumentar devido à crise global. Além da queda no preço das commodities, os manufaturados – que poderiam beneficiar-se com o câmbio – poderão ter redução na demanda.

Com tanta volatilidade no mercado financeiro de câmbio e com a crise já afetando o lado real da economia, o comportamento do dólar ainda é uma incógnita.

Câmbio em 2009 uma incógnita

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