Balança comercial do agronegócio gaúcho

De janeiro a abril de 2004, as exportações do agronegócio (produtos in natura e industrializados derivados da agropecuária) representaram 62,9% do total exportado pelo RS, enquanto as importações do agronegócio pelo Estado, no mesmo período, representaram apenas 9,88% do total importado. Já o saldo comercial do agronegócio foi maior que o saldo comercial total do Estado, confirmando o RS como uma região caracteristicamente exportadora de produtos do agronegócio, pois a balança comercial das demais mercadorias foi deficitária no período em análise, e esse tem sido o comportamento habitual do comércio externo gaúcho, conforme se observa na tabela. Ou seja, são as exportações do agronegócio gaúcho que sustentam o saldo comercial positivo do Estado.

A participação do agronegócio nas exportações gaúchas poderia ser ainda maior, não fossem as inúmeras barreiras tarifárias e não tarifárias impostas aos produtos agrícolas em todo o mundo, especialmente às commodities tradicionais. A agropecuária é o setor mais protegido na maioria dos países, e as barreiras dão-se através de tarifas elevadíssimas, subsídios domésticos e de exportação, cotas de importação e restrições técnicas, sanitárias e fitossanitárias, sendo raras as oportunidades de se promoverem alterações concretas nessas barreiras. Tanto na Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto nos acordos da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e da União Européia-Mercosul, a resistência para se reduzirem os entraves ao comércio de produtos da agropecuária tem sido muito grande, e os maiores parceiros comerciais, nesses dois acordos, têm pressionado apenas por reduções tarifárias, quando, atualmente, a maior dificuldade encontrada pelo setor tem sido em relação às barreiras não tarifárias.

Os principais produtos do agronegócio exportados pelo Estado em 2003 foram: calçados de couro; soja em grão; fumo; farelo de soja; óleo de soja; carne de frango e de suíno; pasta química de madeira; couros; móveis de madeira; madeira; proteína de soja; carne em conserva; extrato tanante; maçã; mate; e milho. Dentre as principais mercadorias do agronegócio importadas pelo RS no ano passado, destacaram-se: trigo; couros e peles; arroz; cevada cervejeira; cebola; leite em pó; pasta química de madeira; painéis de madeira; fumo não manufaturado; vinho; e papel para escrita.

Os produtos do agronegócio que registraram as maiores diferenças, em valores absolutos, entre suas exportações e suas importações foram: calçados de couro; fumo; soja em grão; carnes; farelo de soja; couro; óleo de soja; e móveis de madeira; o que os caracteriza como tendo boas oportunidades de inserção no comércio internacional, além de se incluírem entre aqueles que mais contribuíram para o superávit comercial do Estado. Por outro lado, os maiores déficits comerciais, em valores absolutos, do agronegócio gaúcho em 2003 foram ocasionados por cereais (trigo em particular); produtos hortícolas; bebidas; papel e cartão; borracha natural; leite e laticínios; todos com suas importações muito superiores às suas exportações.

Pode-se ainda destacar, no agronegócio gaúcho, que algumas mercadorias apresentaram altos índices de comércio intra-industrial em 2003, indicando um forte intercâmbio bilateral, já que os valores exportados e os importados, nesse caso, registraram cifras aproximadas. Dentre esses produtos, alguns apresentaram índice de comércio intra-industrial acima de 75%, como foi o caso de produtos da indústria da moagem (83,9%); algodão (82,5%); plantas vivas (77,2%); e papel e cartão (75,7%).

Balança comercial do agronegócio gaúcho

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