Aumenta a concentração empresarial das exportações gaúchas

Apesar da contínua apreciação do real em relação ao dólar, as exportações nacionais e as estaduais aumentaram significativamente de 2004 a 2007. Mas uma análise mais detalhada das principais empresas exportadoras mostra uma forte diferença no seu desempenho no mercado externo, uma vez que a taxa de câmbio teve um impacto distinto sobre as firmas. Para diminuir o efeito negativo da valorização do real, muitas empresas passaram a importar mais.

O câmbio adverso foi compensado pelo cenário externo favorável, com maior crescimento econômico mundial e altos preços de commodities nos mercados internacionais, que, aliados aos ganhos de produtividade das empresas, compensaram a valorização cambial para algumas firmas, favorecendo, até mesmo, a elevação do valor exportado. Contudo, para as empresas tradicionais que utilizam muita mão-de-obra e poucos insumos importados, essa apreciação tem diminuído sobremaneira a competitividade externa.

No período 2004-07, ao se confrontar a participação das vendas externas das 40 principais empresas com o valor total exportado, observa-se um incremento mais acentuado no RS, que passou de 56,24% para 61,53%, do que no Brasil, onde se elevou de 41,05% para 43,24%, indicando um aumento na concentração empresarial das exportações gaúchas maior que em nível nacional. Apenas as 10 primeiras empresas, em valor, representaram, em média, quase um terço e menos da quarta parte do total exportado pelo Estado e pelo País respectivamente. Deve-se destacar que as aquisições e as fusões ocorridas e a ampliação da capacidade produtiva e comercial também contribuíram para o incremento da concentração.

Ao longo dos últimos quatro anos, no RS, as principais exportadoras, em valores, foram: Bunge Alimentos S/A, Doux Frangosul S/A, Alliance One Brasil Exportadora de Tabacos Ltda. e Universal Leaf Tabacos Ltda., todas firmas do agronegócio. Salientaram-se, pela taxa de crescimento das exportações, as empresas dos setores de alimentos e de petróleo e petroquímica, com destaque para as variações positivas dos preços internacionais.

A listagem das 40 maiores exportadoras período 2004-07 sofreu alterações, devido aos deslocamentos de posição entre as empresas, tendo em vista seus diferentes desempenhos. Mas grande parte delas exportou elevados valores em todos os anos considerados. A maiores exceções ocorreram entre as exportadoras de calçados, tanto pela desativação total ou parcial da produção como pela instalação de plantas industriais em outros estados e até no exterior, reduzindo as vendas externas gaúchas desse setor. A transferência de parte da produção foi uma estratégia de sobrevivência das empresas, na tentativa de preservarem sua competitividade no mercado.

Aumenta a concentração empresarial das exportações gaúchas

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