As exportações gaúchas em 2008

Em termos nominais, foi muito bom o desempenho das exportações gaúchas em 2008, uma vez que os US$ 17,2 bilhões obtidos entre janeiro e novembro significaram um crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deve-se ressaltar, no entanto, que esse resultado não se traduz, necessariamente, em ganhos expressivos para os exportadores, porque, na maior parte do ano, o real se manteve valorizado, e, além disso, os custos de produção para certos segmentos produtivos subiram de maneira acelerada. A seguir, comenta-se sucintamente o comportamento dos quatro principais grupos de produtos da pauta exportadora gaúcha.

Os produtores de soja e seus derivados aproveitaram-se de um excelente cenário externo, onde os preços desses produtos cresceram vertiginosamente até o início de julho. Isto por diversos motivos, dentre eles, a crescente demanda em países emergentes, a concorrência da produção de biocombustíveis e a especulação financeira na Bolsa de Chicago, onde os aplicadores investiram maciçamente na falta de melhores rendimentos em outros ativos. Mesmo após a reversão dessa tendência, quando a crise financeira passou a contaminar a economia real, os preços das commodities, apesar da queda expressiva, de modo geral ainda se mantiveram em patamares superiores a seus valores históricos. Observe-se que foram os preços que puxaram o valor das exportações do complexo soja, uma vez que, devido a uma safra menor em relação à do ano anterior, o volume comercializado decresceu 23%.

A comercialização de carnes no exterior também apresentou uma performance muito expressiva. Foram exportados em torno de US$ 2,4 bilhões, sendo cerca de 60% desse total de carne de frango e 30% de carne suína. Os bons preços e o crescimento da demanda internacional viabilizaram tanto o aumento do volume exportado quanto o do preço médio, com este último colaborando de forma mais incisiva para a evolução do valor.

O Rio Grande do Sul manteve, em 2008, sua tradição de grande exportador de fumo. Do Estado, saíram 70% das exportações nacionais do produto, sendo que o Brasil é atualmente o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de tabaco. Graças aos baixos estoques mundiais e à qualidade do fumo aqui produzido, o valor das exportações cresceu quase 22%, apesar do pequeno decréscimo no volume comercializado.

Quanto aos calçados, observa-se a continuidade da perda de mercado pelo produto gaúcho. A elevação do preço médio, graças à capacidade das indústrias de desenvolverem sapatos de marca, design e estilos próprios, tem sido insuficiente para compensar a redução nas quantidades embarcadas. Percebe-se, também em 2008, a seqüência na perda do mercado norte-americano, substituído, apenas em parte, pelo crescimento das vendas para a União Européia.

Será muito difícil o Rio Grande do Sul repetir em 2009 o desempenho de 2008, devido à crise econômica internacional, que já está-se expressando sob a forma de retração da demanda mundial e de falta de recursos para financiar o comércio exterior.

As exportações gaúchas em 2008

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