As exportações explicam a evolução da produção de carne bovina

A partir de 1997-98, o setor brasileiro produtor de carne bovina apresentou um grande dinamismo, evidenciado pelo crescimento da produção física e apoiado em melhoria de produtividade (medida pelo crescimento da taxa de desfrute do rebanho nacional por exemplo).

Mas, enquanto as quantidades produzidas evoluíram, em média, 4,6% a.a. entre 1997 e 2004, as exportações o fizeram a 26,7% a.a., resultando no aumento da participação destas últimas na produção doméstica — de 4,9% para 18,8% no período (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC)). Tais indicadores demonstram que as vendas externas foram o componente dinâmico da demanda nacional do segmento, até porque caiu em 30% o consumo per capita de carne bovina (principalmente de seus cortes nobres) no País, entre 1995-96 e 2002-03 (POF/IBGE).

É importante registrar que esse surto de crescimento das vendas externas ocorreu paralelamente à queda sistemática e consistente dos preços internacionais, demonstrando que as decisões de produção se deram independentemente destes últimos. O mesmo ocorreu no Rio Grande do Sul, onde as exportações crescentes coexistiram com preços cadentes.

Ao ter-se presente, por outro lado, a queda sistemática da taxa de câmbio a partir de outubro de 2002 e, ainda, que a atividade se caracteriza por gerar baixa densidade de valor por hectare, pode-se concluir que a formação de renda para o produtor individual passou a depender fortemente das escalas de produção. Esse quadro, em médio prazo, gera instabilidade para segmentos importantes da produção gaúcha e reforça a competitividade dos produtores do Brasil Central e do Norte, que operam em escalas relativamente maiores.

As exportações explicam a evolução da produção de carne bovina

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