As exportações do Rio Grande do Sul por porte de empresa

Os efeitos da valorização do real vêm sendo sentidos pelas empresas exportadoras. Isto porque aquelas com baixa ou mesmo nenhuma utilização de insumos e matérias-primas importados não podem compensar sua perda de rentabilidade via redução no custo desses fatores de produção, cujo pagamento se dá em real. O mesmo ocorre com as exportadoras com maior uso do fator mão-de-obra, cuja remuneração é feita em moeda nacional, enquanto as receitas são auferidas em dólares. Desse modo, empresas que usam intensamente matérias-primas nacionais e mão-de-obra acabam perdendo competitividade junto aos mercados externos. Tal é o caso da maior parte das micro e pequenas empresas (MPEs) exportadoras do RS, tendo em vista os tipos de produtos que exportam. Assim, em 2006, em todas as faixas de empresas por porte, exceto as grandes, observou-se um recuo no número de exportadoras. Estudos já revelaram que essa saída das pequenas e médias empresas do mercado só não tem sido maior devido ao fenômeno que se convencionou chamar de “histerese de exportação”, em que, uma vez introduzida no mercado exportador, a firma opta por lá permanecer, mesmo em situação desfavorável, devido aos custos de entrada e saída.

As micro e pequenas empresas exportadoras gaúchas são mais sensíveis à valorização do real, porque exportam, prioritariamente, produtos manufaturados intensivos em mão- -de-obra e em matérias-primas nacionais, com mercados pouco dinâmicos e com baixa e média tecnologias, o que as torna mais vulneráveis à concorrência internacional. À medida que aumenta o tamanho das empresas, as exportações ficam mais distribuídas entre produtos básicos e manufaturados. Tal fato se explica pelo maior número de grandes empresas exportadoras de produtos básicos, muitas delas, inclusive, multinacionais ligadas ao mercado de commodities, com destaque para fumo e soja. Com um percentual bem mais alto de participação de commodities — cujos preços estão em alta no exterior — e com mais condições estruturais para enfrentar a concorrência externa, essas empresas vêm conseguindo superar melhor as atuais dificuldades encontradas pelo setor exportador gaúcho. Cabe destacar-se que os calçados são exportados por empresas de todos os portes, e os móveis só não fazem parte da lista de principais produtos nas de grande porte, onde preponderam as vendas de commodities.

As MPEs do Estado vendem especialmente para o Mercosul, principal mercado para seus produtos manufaturados. Já as micro e pequenas especiais (que têm poucos empregados, mas exportam mais de US$ 1,2 milhão) e as médias têm seu principal mercado nos Estados Unidos e no Canadá, que importam a maior parte de seus produtos manufaturados. Por sua vez, as grandes, que, além de manufaturados, também são importantes exportadoras de produtos básicos, vendem principalmente para a União Européia, sendo a região da Ásia-Pacífico seu segundo mercado comprador, para onde predominam as vendas de commodities.

As exportações do Rio Grande do Sul por porte de empresa

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