A saúde no Rio Grande do Sul segundo o novo Idese

No mês de abril de 2014, a Fundação de Economia e Estatística divulgou os resultados do novo Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) para o período 2007-10. O Índice passou por importante revisão metodológica e abarca em sua versão atual três blocos de indicadores: Educação, Renda e Saúde. As mudanças realizadas no Índice tornam-no uma ferramenta mais confiável e precisa para subsidiar decisões sobre a formulação de políticas públicas no Estado.

O Bloco Saúde do novo Idese é composto por três sub-blocos: saúde materno-infantil, condições gerais de saúde e longevidade. A saúde materno-infantil é avaliada a partir da taxa de mortalidade das crianças menores de cinco anos de idade e da proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas pré-natal. As condições gerais de saúde são medidas pelo desempenho da taxa de mortalidade por causas evitáveis e pela proporção de óbitos por causas
mal definidas. Por fim, a longevidade é aferida a partir da taxa bruta de mortalidade padronizada.

Para o ano de 2010, o Idese apresentou um resultado 4% superior ao obtido em 2007, passando de 0,699 para 0,727. O
Bloco Saúde contribuiu positivamente para o resultado do Índice, tendo apresentado a melhor nota entre os três blocos
componentes do indicador em 2010. De fato, enquanto os índices de Educação e Renda foram, para o ano citado, de
0,654 e 0,724, respectivamente, o Bloco Saúde obteve índice de 0,803. No entanto, esse bloco foi o que apresentou menor variação positiva: enquanto Educação e Renda melhoraram, respectivamente, 4,2% e 6,1% entre 2007 e 2010, o desempenho do Bloco Saúde variou apenas 2,0% no mesmo período.

O resultado positivo do Bloco Saúde é devido, em grande parcela, aos números bastante favoráveis para a longevidade no Estado. O resultado do sub-bloco longevidade foi de 0,842. O sub-bloco saúde materno-infantil também apresentou
resultado positivo, com nota de 0,818. Dos três sub-blocos utilizados na avaliação da saúde no Estado, a pior nota relacionou-se às condições gerais de saúde. Esse sub-bloco, que engloba indicadores de óbitos por causas mal definidas e por causas evitáveis, registrou resultado de 0,749 para o ano de 2010. É importante salientar que o fato de o Bloco Saúde ter apresentado números — de modo agregado — positivos não significa que os serviços de saúde do Estado gozem de excelência e que os gestores públicos podem deixar de priorizar essa área. Ao contrário, o que se observa é que a questão da qualidade do atendimento em saúde ainda é bastante problemática no Estado, apesar da escassez de indicadores confiáveis e abrangentes.

Um ponto que merece destaque na análise dos resultados diz respeito a uma imagem distorcida que o leitor poderia formar a partir do resultado agregado para o Estado. A afirmação de que o resultado do Bloco Saúde foi de 0,803 não
deixa transparecer as desigualdades existentes dentro do Estado. Essas desigualdades são claramente visíveis dentro
da histórica divisão entre as Metades Sul e Norte do Rio Grande do Sul. O mapa ao lado mostra a diferença entre essas duas porções do Estado, no que diz respeito ao resultado do Bloco Saúde para o ano de 2010. Percebe-se que os municípios com as melhores notas estão concentrados, de modo geral, na porção norte do Estado. Além disso, na região
setentrional, estão localizados todos os municípios com resultado superior a 0,900.

A tradicional divisão do Estado, em termos de desenvolvimento, entre Norte e Sul é também visível quando se divide o Estado em mesorregiões. Em 2010, as mesorregiões que apresentaram melhor desempenho foram a Nordeste (0,854) e a Noroeste (0,826). Na outra ponta, os piores desempenhos foram registrados nas regiões Sudoeste (0,766) e Sudeste (0,774). Esse fenômeno não é exclusivo aos indicadores de Saúde, repetindo-se também nos Blocos Renda e Educação. Reiteradamente, a Metade Sul apresenta indicadores inferiores aos da Metade Norte. No período entre 2007 e 2010, as regiões Sudeste e Sudoeste registraram melhoras no Bloco Saúde superiores às alcançadas pelo Estado (2,1% e 2,4% respectivamente, ante uma melhora de 2,0% nos números agregados para todo o Estado). No entanto, esse desempenho foi insuficiente para retirar ambas as regiões das piores posições no ranking estadual do Bloco Saúde.

O município que apresentou o melhor resultado para o ano de 2010 está localizado na região do Alto Jacuí e trata-se de um município pequeno: Lagoa dos Três Cantos. Sua nota no Bloco Saúde foi 0,924. Os Municípios Santo Expedito do Sul e Nova Bassano apresentaram números igualmente positivos, de 0,923 e 0,921 respectivamente. Esses são os três municípios com melhores resultados no bloco. Por outro lado, Lavras do Sul (0,666), Uruguaiana (0,694) e Itaqui (0,711) foram os municípios que apresentaram as piores notas no mesmo quesito. Quando consideramos apenas os municípios com população superior a 100.000 habitantes, o município que apresenta o melhor resultado é Bento Gonçalves (0,893). Os Municípios de Caxias do Sul (0,853) e Santa Cruz do Sul (0,845) vêm logo atrás, seguidos por Porto Alegre (0,809). Por outro lado, Uruguaiana desponta com o pior resultado em Saúde entre os municípios mais populosos (0,694).

 

A saúde no Rio Grande do Sul segundo o novo Idese

 

Thiago Felker Andreis*
Economista, Pesquisador da FEE

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* O autor agradece à Mariana Pessoa pela confecção do mapa.

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