A renda dos ocupados no primeiro semestre

Analisando os dados de rendimentos médios mensais por semestres, a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre (RMPA) e de São Paulo (RMSP), desde o ano de 1999 até o primeiro semestre de 2005, pode-se observar a grande queda no indicador renda no trabalho principal. Enquanto a renda média real dos ocupados na RMPA diminuiu 12,2% em relação ao 1º sem./99, na RMSP, a queda acumulada nesse mesmo período foi bem mais acentuada, indo além de 26%.

Com relação aos movimentos observados na série semestral, a partir de 1999 até 2005, é possível observar algumas diferenças e semelhanças no comportamento das duas regiões analisadas. O momento em que começa a ocorrer a queda do rendimento médio real dos ocupados é diferente nas duas. Enquanto a RMPA apresentava um resultado ainda favorável até o ano 2000, para somente em 2001 começar a apresentar queda, a RMSP, já em 1999, havia iniciado o movimento de queda que persiste até hoje. De forma semelhante, os índices de rendimentos com base no 1º sem./99 atingiram os patamares mínimos no 1º semestre de 2003, tanto na RMPA como na RMSP. Atualmente, as duas regiões apresentam um rendimento médio muito próximo ao do menor patamar.

Para detalhar o movimento dos rendimentos médios reais dos segmentos de ocupados na RMPA, optou-se por analisar a variação do 1º sem./05 em relação ao 1º sem./99. No que diz respeito aos diferentes setores de atividade, os ocupados que tiveram maior perda no rendimento, nos últimos seis anos, foram os do comércio e os da construção civil (21,4% e 18,4% respectivamente), enquanto a menor foi observada entre os trabalhadores da indústria de transformação (4,9%). Vale ressaltar que a indústria foi o setor que apresentou maior evolução no nível de ocupação, tendo o seu número de ocupados crescido 20% no período considerado. Já a construção civil mantém, atualmente, o mesmo número de ocupados de seis anos atrás. No que se refere à posição na ocupação, o movimento mais impressionante verificou-se entre os assalariados do setor público. Dentre estes, os estatutários apresentaram um acréscimo de 5,6% no rendimento médio real, enquanto os não-estatutários somaram uma perda superior a 20%. Quanto ao nível de ocupação, ocorreu crescimento de 14% entre os assalariados do setor público, ficando abaixo da média de ocupação total, que cresceu 17%.

Com relação à faixa etária, não houve diferenças relevantes na variação do rendimento médio real, pois todos os grupos etários apresentaram quedas semelhantes. Já quando se observa o grau de instrução, isso não acontece, pois os ocupados com nível superior completo foram os menos afetados pela perda no rendimento, apresentando queda de 13,7%, contra uma retração de 25,4% dos ocupados com ensino médio completo, que foram os que apresentaram maior perda.

A renda dos ocupados no primeiro semestre

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