A relevância da economia criativa no setor de serviços gaúcho

A economia criativa vem conquistando cada vez mais protagonismo na estrutura econômica mundial. A definição do segmento ainda está em evolução, o que permitiu a criação de vários conceitos análogos por diferentes países e instituições. Contudo, os principais situam o setor de serviços como núcleo principal desse segmento, o qual abrange, também, a indústria e o comércio. Dados recentes da United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) indicam que a economia criativa tem crescido a taxas anuais de duas a três vezes maiores em comparação à indústria de serviços em geral.

O Rio Grande do Sul não fica de fora dessa tendência, de modo que atividades ligadas à cultura ganham cada vez mais relevância no Estado. Textos anteriores da Carta de Conjuntura difundem essa mesma ideia com dados de como o consumo de cultura por parte da população gaúcha é maior que a média brasileira e como o mercado de Jogos Digitais do RS, que já é o segundo polo de produção, é superado apenas pelo de São Paulo.

Considerando tanto o quadro nacional quanto o internacional, depreende-se a relevância dos estudos em torno do tema. Seguindo o conceito sugerido pela UNCTAD, a economia criativa é descrita como os ativos criativos que potencialmente geram crescimento e desenvolvimento econômico. No centro da economia criativa, localizam-se as indústrias criativas. A importância da economia criativa está ligada a alguns fatores, tais como: (a) estímulo à geração de renda, à criação de empregos e à exportação de ganhos, ao mesmo tempo em que promove a inclusão social, a diversidade cultural e o desenvolvimento humano; (b) aspectos econômicos, culturais e sociais que interagem com objetivos de tecnologia, propriedade intelectual e turismo; (c) configura-se um conjunto de atividades econômicas baseadas em conhecimento, com uma dimensão de desenvolvimento e interligações cruzadas em macro e micro níveis para a economia em geral; e (d) opção de desenvolvimento viável que demanda respostas de políticas inovadoras e multidisciplinares, além de ação interministerial.

A Fundação de Economia e Estatística (FEE) está atualizando a metodologia de uma pesquisa intitulada Indústria Criativa no Rio Grande do Sul, publicada em 2013, que tinha como objetivo identificar e comparar características dos setores de serviços, comércio e indústria da economia criativa no RS. Para tanto, foram consideradas como pertencentes à economia criativa as mesmas classes da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) utilizadas na pesquisa. Os dados utilizados para a análise do setor de serviços são provenientes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), fornecidos pelo Ministério do Trabalho.

Os resultados, obtidos através do número de vínculos empregatícios, evidenciam que o Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Metropolitano Delta do Jacuí é o principal polo do Estado, concentrando 56,31% dos “serviços criativos” gaúchos. Apesar disso, outros Coredes apresentaram expressivo crescimento no período de 2010 a 2013, com destaque para o Corede Serra, que apresentou taxa de crescimento de 28,69%, mesmo sendo o terceiro maior Corede no segmento. Os dados também revelam que o segmento conseguiu se expandir dentro do setor de serviços, passando de 84.763 (1,99%) vínculos empregatícios no setor em 2010 para 99.929 (2,08%) em 2013.

Dentre as classes da CNAE, as que mais possuem vínculos empregatícios são (a) tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet e (b) suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação, o que indica uma forte concentração em torno de empresas relacionadas à Tecnologia da Informação.

Podem-se extrair outras informações importantes da base de dados da RAIS. A remuneração média dos trabalhadores dos “serviços criativos” foi maior que a do total do setor dos serviços nos quatro anos analisados (de 2010 a 2013). Além disso, o crescimento da remuneração média no segmento da economia criativa foi de 39,18%, também maior que os 31,71% do setor de serviços.

Percebe-se, ainda, que a escolaridade média em cada ano foi maior entre os trabalhadores do segmento em análise. Essa diferença foi de 1,33 ano (em média). Por outro lado, a idade média dos mesmos é quase dois anos inferior à dos que não trabalham no segmento.

Através da interpretação dos dados, pode-se constatar que o RS possui muito potencial para crescimento sustentado da economia criativa. A maioria dos Coredes gaúchos expandiu o número de vínculos empregatícios no período 2010-13, em consonância com a expansão apresentada pelo Estado. Essa expansão favorece o desenvolvimento tecnológico, já que o segmento está diretamente associado à inovação e ao desenvolvimento, fato esse evidenciado pelas classes da CNAE que mais apresentam vínculos empregatícios.

Ainda pode-se perceber que, nesse segmento, para todos os anos analisados, a mão de obra é mais qualificada e mais jovem, e que os empregos tendem a ter uma remuneração acima da média dos rendimentos do mercado tradicional, o que incentiva o aumento da qualificação profissional.

Participação percentual dos vínculos empregatícios da economia criativa dos Coredes — 2010-13

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