A queda da taxa de juros e a inflação

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, após manter a taxa de juros Selic, de julho de 2001 até janeiro deste ano, em 19% a.a., baixou-a, em fevereiro, para 18,75% a.a. e, em março, para 18,5% a.a.

Em princípio, não haveria impacto significativo sobre a inflação, tendo em vista o baixo nível de atividade da economia nacional. Tal desaquecimento, justamente, é que poderia agravar o quadro econômico, por reduzir a arrecadação tributária e piorar o resultado primário do setor público consolidado. Ademais, a manutenção da taxa Selic em 19% a.a., ou sua elevação, aumentaria a pressão sobre a dívida pública e sobre o déficit nominal, afetando o resultado fiscal global.

Todavia outros fatores potencialmente inflacionários têm emergido na conjuntura, como a elevação do preço internacional do petróleo, empurrando as expectativas de variação dos índices de preços para patamares próximos ao teto fixado. A autoridade monetária afirma que não está recuando de seu comprometimento com as metas inflacionárias, alegando ter mudado o enfoque, passando a considerar a tendência da inflação num período maior (18 a 24 meses) e não mais em 12 meses. Na prática, isso significa que o Bacen aplica certo afrouxamento, no curto prazo, à política monetária, para estimular a redução do custo de financiamentos e crediários e a retomada da produção.

A queda da taxa de juros e a inflação

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