A quebra da safra gaúcha 2004/05

A análise da evolução da produção de grãos nos últimos anos demonstra que, a despeito das inovações tecnológicas, a agricultura gaúcha se caracteriza por altos e baixos no volume produzido, em decorrência de instabilidades climáticas. A cada safra, uma ou outra cultura, no Estado, apresenta alguma perda decorrente de condições de clima não favoráveis ao seu desenvolvimento. Em alguns casos, a variável clima assume tais proporções, como na safra 2004/05, que os prejuízos são totais em algumas culturas, em determinadas regiões. Em termos de magnitude, a quebra atual só pode ser comparada com a ocorrida na safra 1991/92, a maior dos últimos anos. Naquela safra, também em decorrência de uma estiagem prolongada, ocorreram reduções significativas nas produções de feijão, milho e soja. No entanto, as perdas na safra de 2005 de feijão e milho superam as ocorridas em 1991/92. A redução prevista na produção de soja também é significativa, mas, em virtude de um aumento na área cultivada, nos últimos anos, a produção esperada é superior à obtida em 1992.

Segundo levantamento do IBGE realizado na primeira quinzena de março, as lavouras gaúchas de arroz, feijão, milho e soja, na safra 2005, apresentam uma queda de 34% em relação à safra passada. Essa redução decorre da estiagem que se iniciou, no Estado, no final de 2004 e prolongou-se até os meses de janeiro e fevereiro de 2005. No entanto, a magnitude das perdas nas lavouras de grãos de verão gaúchas pode ser melhor dimensionada se comparada à produção de 2003, a última safra que se desenvolveu sem maiores danos causados por adversidades climáticas: o volume de grãos produzido pelo Rio Grande do Sul em 2005 chega a ser 50% menor do que o obtido em 2003.

Na atual safra, as maiores perdas até o momento estão na lavoura de milho, cuja produção deverá ser 54% menor do que a obtida em 2004 e mais de 70% inferior à de 2003. Nos últimos anos, essa cultura já vinha sofrendo redução na sua produção, decorrente de diminuição da área plantada por conta da substituição do plantio de milho pelo de soja. Na safra 2004/05, no entanto, esse movimento de redução de área plantada ampliou-se, porque parte das lavouras não chegou a ser cultivada, devido à falta de chuvas no momento da semeadura.

Grandes prejuízos também ocorreram na produção de soja — a redução prevista é de 45%, se comparada com a do ano anterior. Em 2004, a soja já tinha apresentado perdas em decorrência de problemas climáticos — a falta de chuvas no mês de fevereiro acabou por reduzir significativamente a produção do grão. Se compararmos a safra atual com a de 2003, verificamos que a produção prevista de soja no Estado é quase 70% menor do que a de 2003.

A quebra na atual safra pode ser considerada generalizada e de grandes proporções, uma vez que a produção de feijão também apresenta redução de mais de 40% em 2005, em relação à de 2004. Mais ainda, a produção de arroz apresenta perdas superiores a 14% em seu volume, além de apresentar comprometimento da qualidade do grão produzido.

A quebra da safra gaúcha 2004 05

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