A produção industrial brasileira em crise

A indústria brasileira voltou a apresentar, em setembro do corrente ano, taxas negativas de crescimento na sua produção física. Com isso, nos três primeiros trimestres de 2012, a indústria brasileira já acumulou uma queda de 3,5% na produção, em relação ao mesmo período do ano anterior. Tal desempenho só veio a confirmar as dificuldades de retomada do crescimento da economia do País no corrente ano, a despeito do esforço governamental em contrabalançar os efeitos da crise econômica mundial sobre a economia brasileira. Faltando apenas as informações do último trimestre do ano, esse fraco desempenho já sinaliza uma taxa negativa no acumulado do ano.

Outro indicador preocupante a respeito da produção industrial brasileira em 2012 são as acentuadas quedas na produção das atividades de material eletrônico e aparelhos de comunicações (-16,3%), veículos automotores (-15,4%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-13,0%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,5%). No caso das indústrias de bens de consumo não duráveis, tiveram destaques negativos as atividades produtoras de fumo (-15,3%) e vestuário e acessórios (-11,2%).

No que se refere à produção industrial no Rio Grande do Sul, verifica-se que a mesma tem seguido a tendência apresentada pela sua congênere nacional, com uma queda acumulada de 3,1% na produção, nos nove primeiros meses do ano. No caso do Estado, no entanto, as atividades mais prejudicadas pela queda na produção foram as de metalurgia básica (-20,2%), veículos automotores (-16,6%) e fumo (-16,4%). A única atividade industrial no Estado que destoa do desempenho da indústria nacional é a de máquinas e equipamentos, que apresentou, no período em análise, um crescimento de 14,8%.

A análise estatística destacada acima parece evidenciar alguns fatos estilizados das realidades econômicas nacional e regional. Em primeiro lugar, tem ficado cada vez mais evidente que a economia brasileira é muito mais vulnerável à crise econômica internacional do que alguns analistas tentaram demonstrar depois do rápido crescimento econômico de 2010. De fato, em que pese aos enormes esforços realizados pelo Governo brasileiro nos últimos anos — no sentido de melhorar a distribuição de renda, estimular o consumo e os investimentos —, a dinâmica da economia brasileira em geral, e da indústria em particular, está fortemente condicionada pelos rumos da economia internacional, em especial dos Estados Unidos e da Europa. Embora “tecnicamente” a economia brasileira não esteja em recessão, pode-se afirmar que a mesma continua inserida na crise econômica mundial.

Em segundo lugar, a simetria entre os desempenhos (ver gráfico) não é surpreendente, uma vez que o parque industrial do Estado mantém estreitas relações de compra e venda com o mercado interno nacional e tem sua inserção no mercado externo condicionada pelas mesmas variáveis que afetam a sua congênere nacional. Tais fatos demonstram que não se devem buscar na “economia gaúcha” as razões para o desempenho da indústria aqui instalada. Conforme foi apontado por outros estudos realizados pela FEE já nos anos 80, a atividade industrial que ocorre no território gaúcho nada mais é do que uma parte da indústria brasileira. E não se trata, aqui, de uma questão meramente estatística, onde o RS faz parte da média nacional. Ocorre que a indústria instalada no RS faz parte da estrutura da indústria nacional e se insere na divisão regional do trabalho da economia brasileira. Assim, o seu desempenho deve ser procurado dentro da lógica nacional de crescimento e acumulação, e não da regional.

Portanto, a retomada do crescimento da produção industrial em 2013 dependerá tanto da manutenção da atual política econômica quanto da recuperação da economia mundial.

A produção industrial brasileira em crise

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