A participação da América do Sul nas exportações gaúchas

A participação das exportações para a América do Sul no total das exportações gaúchas aumentou consideravelmente entre 1989 e 2013, período para o qual existem dados desagregados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), tendo passado de 7,3% no primeiro ano da série para 23,0% no último. O gráfico mostra o comportamento dessa região e de duas outras sub-regiões: a do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a dos demais países da América do Sul. Os dados brutos referentes ao Mercosul não incluem a Venezuela, uma vez que essa nação passou a fazer parte desse bloco econômico como membro pleno apenas em meados de 2012. Dessa forma, as informações sobre o Mercosul utilizadas para a montagem do gráfico registram o comércio do RS com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Por outro lado, por não se tratarem, de fato, de exportações gaúchas, também foram
excluídos dos cálculos os valores referentes às vendas de energia elétrica para a Argentina em 2009 e de plataformas marítimas para os EUA em 2008 e para o Panamá e a Holanda em 2013.

A criação do Mercosul em 1991 deu um impulso considerável ao comércio com os países do bloco: a representatividade desse agregado nas vendas externas do RS saiu de 4,0% em 1990 para 19,7% em 1998, o maior valor de toda a série. Daí em diante, iniciou-se uma trajetória de queda até 2002, quando a participação atingiu apenas 6,4%. A tendência de alta foi retomada em 2003 e manteve-se até 2008, quando a representatividade desse bloco alcançou 15,0% do total exportado pelo Estado. Depois disso, ocorreram uma ligeira queda em 2009, uma recuperação expressiva em 2010 e, nos três últimos anos, uma participação média em torno de 15,0%.

Em relação às demais nações da América do Sul, observa-se uma tendência mais homogênea na participação das exportações gaúchas e em percentuais bem mais modestos: em 1989, esse grupo de países absorvia 3,0% das vendas ao exterior do RS, sendo que, no último ano da série, adquiriu 7,8% do total. O melhor desempenho desse agregado de
países aconteceu em 2012, quando comprou 9,7% da produção do Estado comercializada no exterior.

As oscilações da representatividade do Mercosul nas exportações gaúchas foram fortemente influenciadas pelas compras da Argentina, que, ao longo da série, alcançaram, em média, 63% do total desse bloco. Assim, por exemplo, as crises econômicas no país vizinho, nos anos de 1999, 2001 e, principalmente, 2002, puxaram para baixo a participação do Mercosul.

Deve ser ressaltado que, em se tratando de uma averiguação sobre o peso relativo de determinados mercados sobre o total das exportações do Estado, o comportamento de outros mercados também impacta decisivamente o resultado obtido. Assim, ao longo de todos esses anos, também influenciaram fortemente nas participações relativas as performances dos mercados norte-americano, europeu e, cada vez mais, a evolução do mercado chinês.

De maneira geral, os produtos exportados pelo RS tanto para o Mercosul quanto para os demais países da América do Sul constituem-se de derivados de petróleo (polímeros e hidrocarbonetos), daqueles oriundos da indústria metalmecânica (tratores, outras máquinas agrícolas, carrocerias, reboques e semirreboques), além de calçados, móveis e carnes (de aves e suína). Como boa parte desses produtos é comercializada em vários países da América do Sul, existe a
possibilidade de substituição de mercados dentro da própria região. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as vendas de
tratores em 2010 e 2011. Nesse período, as exportações desse produto, do RS para a América do Sul, passaram de
US$ 186 milhões para US$ 191 milhões, ou seja, tiveram uma variação relativamente pequena. No entanto, em 2011,
comparativamente a 2010, as vendas de tratores para a Argentina caíram US$ 53 milhões, ao passo que subiram
US$ 27 milhões para a Venezuela, US$ 13 milhões para o Paraguai e US$ 8 milhões para a Bolívia, além de aumentos
menos expressivos para o Peru, a Colômbia e o Uruguai.

Apesar do crescimento da participação dos mercados analisados nas exportações gaúchas entre 1989 e 2013, a tendência, a curto e médio prazos pelo menos, é de estagnação, senão de queda de representatividade. Por um lado, porque, além de a Argentina não dar sinais de afrouxamento na política recente de contenção/substituição de importações — ainda mais agora, com o aprofundamento de sua crise cambial —, os demais países não participantes do Mercosul têm procurado firmar outros acordos comerciais, como o da Aliança Para o Pacífico, criado em 2012, que reúne Chile, Colômbia, México e Peru. Por outro lado, porque a continuidade do crescimento da China e da África Subsahariana, somada à recuperação dos EUA e, no médio prazo, também à da União Europeia, deve impulsionar as exportações gaúchas para além da América do Sul.

A participação da América do Sul nas exportações gaúchas

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