A ocupação em nível setorial, na RMPA (2008-12)

Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) mostram que, entre maio de 2008 e maio de 2012, a taxa de crescimento anual média da ocupação foi de 2,7% a.a. Para o mesmo período, isso corresponde a uma taxa de crescimento acumulada de 11,3%. A escolha desse período de análise justifica-se por coincidir com os desdobramentos e impactos da crise internacional iniciada em 2008 sobre a economia brasileira e, particularmente, sobre o nível de ocupação no mercado de trabalho.

A RMPA caracteriza-se, setorialmente, por uma predominância da ocupação no setor serviços, o qual foi o responsável por empregar mais da metade dos ocupados na Região, nesse período. Já a indústria de transformação e o comércio empregam em torno de 17% dos ocupados cada, seguidos por construção civil e serviços domésticos, com absorção de, aproximadamente, 6% cada.

Analisando a taxa de crescimento anual média da ocupação para os diferentes setores, encontramos desempenhos distintos. O destaque ocorre na construção civil, com aumento da ocupação de 7,5% a.a. no período, seguida por serviços (3,4% a.a.), indústria de transformação (1,4% a.a.) e comércio (1,4% a.a.). Apenas nos serviços domésticos houve retração do número de ocupados (-0,4% a.a.). Quando verificamos a evolução da ocupação para o período como um todo, as discrepâncias tornam-se mais evidentes. A taxa de crescimento acumulada para o período foi de 33,7% no setor da construção civil, 14,3% nos serviços e 5,6% tanto na indústria de transformação como no comércio. A exceção ocorreu nos serviços domésticos, onde houve decréscimo de 1,8%.

A indústria de transformação foi um dos setores mais afetados pelos impactos da crise internacional no Brasil. A incerteza a respeito do futuro da economia causada pela crise internacional pode ser mencionada como o fator principal para a queda da ocupação no setor ao longo de 2009. Isto porque as empresas ajustaram a demanda por trabalho com base em uma projeção de retração do crescimento da economia e, consequentemente, de diminuição dos níveis de consumo e gasto por parte das famílias. Com a produção abaixo da capacidade, ocorreu o ajuste do nível de ocupação no setor e, portanto, o encolhimento do número de ocupados. O impacto da crise em 2009 pode ser percebido pelo fato de que a contração do produto da indústria de transformação no RS foi muito mais intensa (-10%) do que para a média do Estado (-0,4%).

No caso da RMPA, os dados mostram que, apesar de a taxa de crescimento acumulada da ocupação no período ser positiva, quando analisamos a variação de um mês em relação ao mesmo mês do ano anterior, encontramos um cenário de quedas seguidas do nível ocupacional na indústria, entre os meses de dezembro de 2008 e fevereiro de 2010. Nessa variação percentual em 12 meses, o nível da ocupação na indústria só voltou a se recuperar ao longo de 2010 e, de forma mais consistente, em 2011. Nos primeiros meses de 2012, porém, o ritmo de expansão do emprego na indústria vem mostrando sinais de arrefecimento. De modo geral, para o total de ocupados, a variação percentual anual foi positiva, exceto nos meses de outubro e novembro de 2009. Enquanto a indústria de transformação apresentou uma expansão da ocupação bastante elevada no último trimestre de 2010 e no primeiro de 2011, os ocupados retomaram um ritmo de crescimento já no início de 2010.

A ocupação em nível setorial, na RMPA (2008-12)

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