A “obamanomia” e a crise econômica

Barack Obama assumiu a Presidência dos Estados Unidos com a economia em recessão e o País em guerra.

De acordo com o National Bureau of Economic Research, a mudança significativa no comportamento da economia deu-se com o recuo do PIB no terceiro trimestre de 2008. De um total de 2,6 milhões de empregos perdidos no ano passado, 524.000 postos de trabalho foram reduzidos em dezembro, quando a taxa de desemprego alcançou o patamar de 7,6%. O setor imobiliário, onde a crise iniciou, mantinha 2,3 milhões de proprietários inadimplentes em 2008. Em seu desenvolvimento mais recente, a crise avançou com o socorro aos dois maiores bancos dos EUA — o Bank of America e o Citigroup. Em sua reunião dos dias 15 e 16 de dezembro, o FED fixou a taxa básica de juros no intervalo 0-0,25% e prosseguiu em sua estratégia de adquirir ativos e expandir o crédito.

Obama chegou ao poder e determinou o fim das torturas em Guantánamo, a perspectiva do retorno para casa das tropas presentes no Iraque, a disposição de dialogar com adversários e, internamente, a promessa de gerar dois milhões de empregos.

À frente, a “obamanomia” precisa resgatar o setor imobiliário, depurar o setor financeiro, reestruturar a indústria automobilística e administrar as finanças públicas em novos níveis de endividamento.

Há em torno de US$ 2,5 trilhões em hipotecas que foram alavancadas pelos bancos na proporção de 1 por 15 e que geraram em torno de US$ 37,5 bilhões em ativos tóxicos. O saneamento do sistema financeiro implica criar uma instituição monetária que absorva e reestruture esses ativos tóxicos que ainda permanecem nos intermediários financeiros.

A fixação de um valor para a soma total dos derivativos, a injeção de mais liquidez na economia e a absorção de alguns bancos por parte da esfera governamental serão realizados à luz de um novo marco regulatório, que deverá reduzir a proporção de alavancagem utilizada no inicio da crise.

Quanto ao parque automotivo, haverá aquisição e divisão das tradicionais empresas do mercado norte-americano. Finalmente, as contas do Governo evidenciarão um avanço do déficit público, e o endividamento como proporção do PIB crescerá em níveis superiores àqueles previstos pelo Escritório de Orçamento do Congresso para o exercício de 2009.

Obama concebeu um pacote de US$ 850 bilhões, abrangendo redução de impostos e aumento de investimentos. O corte de impostos – entre US$ 500 e US$ 1.000 -, que beneficiará os trabalhadores e as famílias de menor nível de renda, é resultado de uma promessa de campanha. A educação concentra a maior fatia dos recursos alocados para investimentos, embora a utilização de energia renovável e a criação de instalações de pesquisa estejam, entre outros, no elenco dos setores prioritários, na agenda do primeiro mandatário.

A obamanomia e a crise econômica

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