A mobilidade urbana e os atropelamentos com mortes em Porto Alegre

A maioria das cidades brasileiras tem privilegiado o veículo individual como o principal sistema modal de transporte. Em 2010, na Cidade de Porto Alegre, os automóveis e as caminhonetes participavam com 77,4% e as motos com 10,2% dos veículos motorizados. Quatro anos depois, em agosto de 2014, a frota de carros e caminhonetes reduziu levemente sua participação, embora ainda representem 75,7%, ficando as motos com 10,5%.

A questão é que a malha viária existente, mesmo se ampliada, não dará uma resposta à altura das mudanças que se fazem necessárias. O que está em jogo não é apenas uma questão de melhoria dos fluxos viários, beneficiando o transporte privado e o transporte público. Mais do que isso, o desafio passa pela reinserção de um espaço de convivência humanizada entre veículos e pessoas circulando a pé. Essa é uma condição que se tornou especialmente problemática e que afeta todos os agentes envolvidos no trânsito, qual seja, a de garantir o direito de ir e vir às pessoas em uma cidade abarrotada de carros.

Ao comparar os atropelamentos com o total dos acidentes de trânsito na Capital, verifica-se que, entre 2009 e 2013, a sua participação permaneceu relativamente estável, ao redor de 6%. Quando são analisadas as mortes por atropelamentos no total de vítimas fatais em acidentes de trânsito, o drama da mobilidade urbana enfocada a partir do pedestre manifesta-se, evidenciando que ele é a parte mais frágil da relação entre o homem e os veículos motorizados que ocupam, de forma privilegiada, o espaço público da cidade. A participação dessas mortes em acidentes por atropelamento, embora venha diminuindo (representava 45,9% das vítimas fatais em 2009, enquanto, em 2013, correspondia a 38,9%), demonstra o sentido das nossas escolhas e prioridades no campo da convivência e da mobilidade urbana. Nos últimos cinco anos, a morte por acidentes de trânsito ceifou 700 vidas, e 292 dessas (41,7%) ocorreram por atropelamento. Humanizar o convívio entre quem circula a pé e quem está motorizado não é impossível, mas uma nova agenda de mobilidade urbana deve ser construída.

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