A melhora dos indicadores de endividamento externo

Entre 1995 e 2000, o Brasil registrou déficits na balança comercial e grandes déficits na conta de transações correntes. Esse desequilíbrio foi agravado pelo acúmulo de uma dívida externa de dimensões preocupantes. Tais circunstâncias contribuíram para elevar o Risco-Brasil e para expor o País a fortes reduções dos financiamentos externos durante as crises financeiras internacionais. Nessas ocasiões, o Banco Central viu-se forçado a elevar drasticamente as taxas básicas de juros, para atrair os capitais externos. O grave inconveniente dessa medida resulta da diminuição do crescimento da produção e do emprego. Contudo, em 2001, registrou-se o primeiro — e ainda modesto — superávit comercial desde 1994. Esse fato prenunciava o processo de reversão, a partir de 2002, do desequilíbrio externo, inicialmente, pela queda do crescimento das importações e, entre 2003 e 2005, pelo veloz crescimento das exportações. Assim, os superávits comerciais seguiram rapidíssima trajetória de aumento. Desde 2003, verificam-se crescentes superávits anuais na conta de transações correntes. Esses fatos contribuem para uma expressiva melhora dos indicadores de endividamento externo — a maioria dos quais relacionada com o risco de inadimplência dos compromissos externos. Essa melhora está registrada na tabela, onde, por exemplo, se constata uma redução de 53,4% da dívida externa líquida entre 2001 e julho de 2006; verifica-se, também, a queda da parcela das exportações comprometida com o pagamento dos compromissos externos. Essas circunstâncias evidenciam a redução da vulnerabilidade externa da economia e condições propícias à elevação de suas taxas de crescimento.

Indicadores de endividamento externo do Brasil — 2001/06

FONTE: Bacen.
(1) Serviço da dívida é igual a amortizações mais juros brutos.

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