A intensidade tecnológica da produção industrial gaúcha

Diversificação da estrutura industrial e produção de mercadorias com elevado valor adicionado são dois fatores determinantes no processo de crescimento econômico de uma região, uma vez que afetam diretamente tanto a produtividade industrial quanto a sua competitividade externa. No caso do Rio Grande do Sul, a diversificação do parque industrial coincide com a origem da indústria no Estado, no século XIX. Já a produção mais intensiva em tecnologia é um fenômeno bem mais recente. Esses dois fatores tornam-se ainda mais importantes numa economia dependente de algumas poucas variáveis, como a produção agrícola e a taxa de câmbio.

Participação percentual das atividades no Valor da Transformação Industrial (VTI), segundo a intensidade tecnológica, e taxa média anual de crescimento da produção no RS — 2002/07

FONTE: FEE.
(1) Acumulado até maio.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desenvolveu uma metodologia de classificação das atividades da indústria de transformação por intensidade tecnológica, considerando quatro categorias: alta, média-alta, média-baixa e baixa. Uma análise do Valor da Transformação Industrial (VTI) do Rio Grande do Sul a partir dessa classificação permite verificar que a estrutura industrial do Estado tem mais de 60% do seu VTI concentrado em indústrias de baixa e média-baixa tecnologia. Conforme pode ser verificado na tabela, no entanto, as atividades de alta e média-alta tecnologia gradualmente ganharam participação no período 2002-05.

A queda na participação das atividades de baixa tecnologia tem sido determinada, principalmente, pelo desempenho do setor de couros e calçados, que, ao longo dos últimos anos, tem sofrido o efeito das alterações na política econômica e da concorrência externa (Carta de Conjuntura FEE, ano 16, n. 6), bem como pela queda nos preços da indústria de fumo. Já a indústria de alimentos, mais vinculada ao mercado interno, tem mantido estável a sua participação e tem acompanhado o desempenho da indústria de transformação.

Dentre as atividades de média-alta tecnologia, a fabricação de veículos automotores e carrocerias e a indústria química destacam-se pelo acréscimo da sua participação na estrutura industrial, durante o período. Concomitantemente, essas atividades têm apresentado as taxas de crescimento da produção bem acima da média da indústria. Já o setor produtor de máquinas e equipamentos teve seu desempenho afetado negativamente pela queda na safra de 2004 e principalmente pela crise agrícola de 2005.

As atividades de alta tecnologia, apesar de sua pequena participação na estrutura industrial, vêm apresentando um crescimento contínuo desde 2002. Dentre essas atividades, destacam-se a fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática, que passou de 0,30% em 2002 para 0,64% em 2005, e construção, montagem e reparação de aeronaves, a qual, nesses mesmos anos, teve um acréscimo na sua participação de 0,03% para 0,63%.

Nos cinco primeiros meses de 2007, a indústria de transformação gaúcha acumulou um crescimento de 8,8% na sua produção, em relação ao mesmo período do ano anterior. Tal desempenho tem sido liderado por dois setores de média-alta intensidade tecnológica, a saber, máquinas e equipamentos e veículos automotores, em conjunto com a fabricação de coque e refino de petróleo. Apesar de esse crescimento não ser homogêneo entre os setores, outras atividades têm apresentado taxas elevadas de crescimento, fenômeno que vem refletindo a diversificação do parque industrial gaúcho.

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