A Indústria de Jogos Digitais no Rio Grande do Sul

A Indústria de Jogos Digitais (IJD) vem ganhando um impulso no mundo inteiro. O mercado de Jogos Digitais movimentou US$ 65,7 bilhões nominais em 2013 e deve chegar a US$ 89 bilhões em 2018, projetando uma taxa de crescimento de 6,3% ao ano. No Brasil, a estimativa é que o mercado de Jogos Digitais cresça de US$ 448 milhões em 2013 para US$ 844 milhões, com uma taxa de expansão de 13,5% ao ano[1]. É, portanto, um setor que vem crescendo, nacional e internacionalmente, mesmo em um ambiente econômico desfavorável. No setor de softwares do Rio Grande do Sul, uma parte crescente das empresas e dos empregos está associada com a IJD.

Essa indústria é importante não somente devido a sua capacidade de geração de emprego e renda, mas também pela vocação de promover a inovação tecnológica, que transborda para os mais diferentes setores da economia: arquitetura e construção civil, marketing e publicidade, áreas de saúde, educação, defesa, treinamento e capacitação. A variedade de possibilidades de inserção de mercado dos jogos, que vai desde a operação via os consoles como o Playstation, da Sony, ou o X-Box, da Microsoft, passando pelos jogos operados via PC, até chegar às mais recentes plataformas mobile, assegura uma multiplicidade de suportes possíveis para os desenvolvedores.

A produção de Jogos Digitais dá-se por meio de atividades criativas e técnicas, que demandam e produzem novas tecnologias. Tais atividades são responsáveis pela geração de novos produtos e serviços, processos produtivos e de distribuição para atividades em outras empresas e organizações dentro e fora do setor, produzindo, assim, externalidades para o conjunto da economia. Além disso, novas modalidades de utilização dos jogos, denominadas de “gamificação”, levam as possibilidades dessa indústria para além da sua dimensão de entretenimento. Os jogos digitais têm sido incorporados a atividades de educação, a pesquisas cientificas, a treinamentos (desde o âmbito corporativo até a Defesa Nacional), à publicidade (advergaming), além de terem utilização na capacitação relacionada ao atendimento de saúde, na escolha e no desenvolvimento de vocações, na arquitetura e na construção civil. Essa contínua evolução indica que o potencial de mercado da IJD ainda está muito distante de ter a totalidade dos seus impactos percebida no conjunto da economia.

No contexto nacional, o Rio Grande do Sul já é o segundo polo de produção, superado apenas por São Paulo. A Associação de Desenvolvedores de Jogos Digitais (ADJogos-RS), com 30 associados, já é a maior associação regional do País. O setor despertou a atenção das autoridades governamentais, que buscam formular políticas públicas para o setor. Em 2014, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) publicou um estudo, realizado pelo Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP), sinalizando o seu grande potencial em termos econômicos e tecnológicos.

Os estudos realizados sinalizam para as possibilidades de articulação de clusters de acordo com o modelo de Arranjos Produtivos Locais (APLs). A articulação dos empreendedores privados com o setor público, apoiados pelo conhecimento técnico desenvolvido nas universidades, potencializa o seu desempenho. No Rio Grande do Sul, a Feevale, a Unisinos, a UniRitter e a PUC têm cursos em nível de graduação e pós-graduação na área. E a ADJogos-RS, em parceria com as três esferas de governo, já implementa o seu Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local de Jogos Digitais.

Essa ação se articula com as políticas nacionais, materializadas em um plano[2] que estabelece uma estratégia baseada em cinco objetivos: (a) desenvolver, no Brasil, uma IJD que seja competitiva e inovadora; (b) capacitar recursos humanos para operar empresas de classe global; (c) promover acesso a financiamento; (d) gerar um ambiente de negócios que estimule o crescimento sustentado; e (e) estabelecer políticas de demanda que induzam o crescimento do setor.

É importante destacar que esse setor se desenvolve em uma dinâmica de inserção em cadeias internacionais de valor. Empresas gaúchas já trabalham em parceria com gigantes internacionais como Sony, Rovio, Cartoon Network, Nickelondeon e Warner. Em 2014, o primeiro jogo produzido no RS teve aprovada pela Sony a instalação no console do Playstation 4 e já vendeu 40.000 cópias. A Unisinos participa todos os anos em um evento internacional, o Global Game Jam, que em 2015 aconteceu em 518 locais, em 78 países. A edição do RS ficou em 33.º no mundo em número de participantes e foi a segunda maior do Brasil. Na edição de 2016 do Game Founder, o maior evento de aceleração de startups de games do mundo, que será realizado na Malásia, das três empresas brasileiras selecionadas, duas são do RS.

As empresas que compõem o setor no Rio Grande do Sul, assim como no resto do Brasil, tendem a ser fundamentalmente pequenas e médias empresas, sendo que mais de 70% delas têm ainda um faturamento inferior a R$ 240 mil por ano, mas 5% delas já atingiram um faturamento acima de R$ 2,4 milhões[3]. São também empresas com mão de obra altamente qualificada, conectadas com universidades e instituições de pesquisa, em processo de integração ao mercado nacional e internacional. Todo esse quadro sinaliza para a importância de um setor que é diretamente associado à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, com um enorme potencial de crescimento que abre caminho para novas dimensões de desenvolvimento na economia gaúcha.

 


[1]  FLEURY, Afonso; NAKANO, Davi; CORDEIRO, José H. D. Mapeamento da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. Rio de Janeiro, BNDES, 2014. p. 32.

[2]  Proposições de Políticas Públicas Direcionadas à Indústria de Jogos Digitais (Rio de Janeiro, BNDES, 2014).

[3]  FLEURY, Afonso; NAKANO, Davi; CORDEIRO, José H. D. Mapeamento da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. Rio de Janeiro, BNDES, 2014. p. 44.

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