A indústria brasileira de celulose de mercado: um setor em expansão

Para o próximo mês de maio, está previsto o início das operações da nova linha de produção da Celulose Riograndense, do grupo chileno CMPC, no RS. O investimento, estimado em R$ 5,0 bilhões, elevará a capacidade da fábrica de 450.000 t/ano para 1,75 milhão t/ano. O RS expandirá sua participação dos atuais 4% para 12% no total da capacidade instalada do Brasil. Nos últimos três anos, o País protagonizou importantes investimentos no segmento de celulose de mercado (ramo que produz apenas a pasta). Além da ampliação referida, foram instaladas duas novas fábricas: a Eldorado Brasil, no Município de Três Lagoas (MS), e a unidade de Imperatriz, no município de mesmo nome (MA), da Suzano Papel e Celulose. Até 2020, estão previstos mais investimentos, que elevarão a capacidade instalada dos atuais 14 milhões t/ano para 21 milhões t/ano. O impacto do aumento da capacidade instalada brasileira na oferta mundial não deverá pressionar os preços da commodity. Isso porque vem ocorrendo o fechamento de fábricas menos competitivas em outros países, como observado em 2014, nos EUA e na Espanha.

A reboque dessa expansão, projeta-se também no País uma elevação das áreas de monocultura florestal. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), em 2013, a monocultura florestal ocupou uma área de 7,6 milhões de hectares, indicando um crescimento de 2,8% em relação a 2012. Nesse mesmo período, a monocultura de eucalipto, principal matéria-prima da pasta brasileira, apresentou variação de 3,2%, representando 72% da área total de florestas plantadas.

Os últimos dados da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e a Agricultura (FAO) confirmam a posição da indústria brasileira na geografia mundial da celulose. Em 2013, no segmento de celulose branqueada sulfato/kraft — principal tipo comercializado —, o Brasil foi o segundo maior produtor (12,5 milhões t/ano, 13,3% da produção mundial) e o primeiro exportador (9,4 milhões t/ano, 20% da exportação mundial). O País exporta cerca de 80% de sua produção, abastecendo, principalmente, os mercados europeu e asiático. É pertinente acrescentar que a continuidade dessa expansão exigirá atenção especial quanto aos seus impactos ambientais.

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