A exportação de couros acabados cresce em importância

A análise da participação dos dois principais tipos de couros bovinos processados pelos curtumes, o wet blue (estado inicial do curtimento) e o acabado (pronto para uso), no total das exportações de couro bovino no RS e no Brasil mostra a clara predominância das vendas externas de couro acabado. Essa participação é maior no RS, onde essas vendas representam mais de 60%, em média, do total de couros bovinos exportados pelo Estado no período analisado (acumulado jan.-jul. 2002-15). O pico de 77% ocorreu em 2009, inaugurando um novo patamar de participação (70% em média), alteração que também pode ser observada em nível nacional, embora de modo menos acentuado.

Essa predominância se acentuou no acumulado jan.-jul./15, quando as vendas externas gaúchas de couro bovino alcançaram US$ 295,9 milhões, e as nacionais, US$ 1.421,7 milhões, valores menores do que os registrados no mesmo período de 2014 (11% e 16% respectivamente), o que impactou, de modo diferenciado, a composição dessas exportações. A inflexão na trajetória de participação dos couros wet blue decorre da queda mais expressiva das vendas externas desse tipo de couro, em termos absolutos e relativos, largamente influenciada pela forte diminuição da demanda pelo produto brasileiro na China, provocada pela desaceleração da atividade industrial desse país. China e Hong Kong, em conjunto, constituem os principais importadores dos couros bovinos brasileiro e gaúcho (34,8% e 28,0% respectivamente), absorvendo, predominantemente, o couro wet blue.

Por sua vez, o incremento na participação do couro acabado, em 2015, reflete a queda relativamente menor das suas exportações nesse período. É importante salientar que a ênfase nas vendas de couro acabado sinaliza seu crescente uso nos setores moveleiro e automotivo, em detrimento da produção de calçados e artefatos de couro, que era a sua principal destinação original.drop-3-Participação dos couros tipo wet blue

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