A expansão do comércio é para valer

O ano de 2007 foi generoso com o comércio gaúcho. A consistência do crescimento tem-se evidenciado pelo fato de que quase todos os setores têm apresentado taxas de crescimento positivas e em elevação como há muito não se observava. Mesmo a menor variabilidade das taxas entre os setores e entre as regiões reforça isso.

Tanto o comércio varejista como o comércio atacadista apresentaram taxas significativas de crescimento no acumulado do ano até outubro, em relação ao mesmo período de 2006. Os dados do Índice de Vendas do Comércio (IVC), calculado pela FEE, mostram um crescimento de 8,4% para o comércio em geral, 11,5% para o atacadista e 5,8% para o varejista.

Contribuiu para isso a queda da taxa de juros desde 2005, cujo impacto se fez sentir com maior intensidade no setor de bens duráveis, embora o comércio como um todo tenha se beneficiado disso. Os efeitos do alívio da política monetária aparecem com certa defasagem no tempo, de modo que, mesmo com a interrupção, pelo Banco Central, da trajetória de queda da taxa Selic, o comércio deve continuar a colher os frutos do aumento de demanda ainda por certo tempo. As taxas ao consumidor também respondem com certa defasagem em relação a essa taxa e, ainda que lentamente, seguem caindo. Além disso, há um aumento na oferta de crédito, acompanhado por um alongamento nos prazos de pagamentos, que tende a ampliar a base de consumidores.

Outra explicação para o bom desempenho do comércio foi a recuperação do setor agrícola no Estado, o que se reflete no desempenho excepcional do comércio atacadista de matérias- primas agropecuárias, cujo crescimento foi de 21,4%. Ressalte- se, porém, que a base de comparação ficou prejudicada pelo desempenho bastante fraco do setor no período 2004-06.

O comércio varejista de veículos, motocicletas, partes, peças e acessórios cresceu 18,1% em 2007, em relação ao mesmo período de 2006, quando já apresentava crescimento significativo. Esse é justamente o setor em que o crédito mais tem crescido.

Já o crescimento do setor atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos (21,3%) sinaliza uma retomada do investimento e oferece uma perspectiva de maior sustentabilidade ao crescimento. O seu desempenho reflete um otimismo em relação a vendas futuras.

Em termos regionais, vale destacar as duas maiores cidades do Estado, Porto Alegre e Caxias do Sul, que apresentaram um crescimento do comércio em geral de 12,7% e 10,6% respectivamente. Esses desempenhos acima da média estão associados aos bons resultados do produto industrial das regiões, que contribuem para a alta da massa salarial e do consumo, mais do que nos municípios menores.

O bom desempenho do comércio, se não ocorrerem choques, deve-se manter ao longo de 2008. Mesmo que a indústria esteja próxima do limite da capacidade instalada, o comércio tem a alternativa de incrementar seu mix de produtos ofertados com importações, dada a perspectiva de uma taxa de câmbio favorável a essa estratégia.

A expansão do comércio é para valer

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