A expansão das Instituições de Ensino Superior do RS na capital e no interior

Desde a criação das primeiras Instituições de Ensino Superior (IES) no Brasil, uma de suas características mais marcantes, relativamente à localização geográfica, foi que se concentravam, principalmente, próximas ao litoral e/ou nos maiores centros urbanos, especialmente nas capitais.

A desconcentração geográfica do ensino superior brasileiro começou por volta do início da década de 50, de modo bastante modesto. Esse fenômeno continuou em marcha lenta até a década de 90, em que houve uma reversão no cenário de baixo crescimento das vagas, quando já existiam cerca de 1,5 milhão de estudantes universitários. A partir desse período, houve uma expansão significativa do ensino superior no Brasil, simultaneamente a um processo de desconcentração geográfica das IES. Esse processo tem, como um dos seus principais benefícios, o atendimento, em nível local, da crescente demanda por educação terciária de estudantes oriundos de cidades pequenas e médias.

No caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, tal movimento facilita o acesso a esse nível de ensino aos candidatos que, de outra forma, só teriam como alternativa buscar uma vaga em IES localizadas em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, em outras capitais ou em grandes cidades do Brasil. Isso permite que os estudantes que moram fora dessas cidades economizem com custos de transporte, moradia e alimentação, dentre outros gastos. Sem acesso ao ensino superior em seus locais de origem, os estudantes interioranos, ou suas famílias, teriam que arcar com essas despesas para poderem estudar na capital ou em outros grandes centros urbanos. Além disso, antes da desconcentração geográfica do ensino superior no RS, os candidatos do interior tinham que competir, em condições de desvantagem, com candidatos residentes na capital, no acesso aos cursos mais disputados das melhores IES. Essa desvantagem se relaciona ao fato de os candidatos da capital, geralmente, terem maior possibilidade de acesso às melhores escolas e a cursos preparatórios ao vestibular, relativamente aos candidatos do interior.

Outros potenciais aspectos positivos da interiorização do ensino superior são:

  1. ampliação e fortalecimento do mercado de trabalho dos munícipios interioranos, viabilizando a fixação de mão de obra altamente qualificada nesses locais;
  2. dinamização da economia e do mercado consumidor do interior, com a instalação de novos empreendimentos em diversos segmentos econômicos, em sintonia com os Arranjos Produtivos Locais (APLs);
  3. estabelecimento de incubadoras e parques tecnológicos, impulsionando, no interior, a inovação, por meio da geração de novos produtos, processos e serviços;
  4. prestação de serviços de ensino e extensão de qualidade às comunidades interioranas.

Além disso, espera-se que a fixação de capital humano de alto nível em municípios do interior tenha, como resultado, a geração de outras externalidades positivas, pois facilita e induz, por exemplo, a atração de investimentos, dinamizando cadeias produtivas locais, ensejando a desconcentração econômica de recursos que seriam alocados, de outro modo, por questões de escala, nos grandes centros localizados nas regiões metropolitanas.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 1991, o RS tinha 49 IES no total. Ao final da década de 90, no ano 2000, o número de IES no RS caiu para 48. A partir de 2001, quando o número de IES no RS subiu para 51, ocorreu uma reversão no ritmo de declínio e surgiu uma tendência de significativo crescimento no número de IES gaúchas. Em 2014, havia, no total, 120 IES no RS, em razão das novas políticas públicas, em nível federal, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que contribuíram significativamente para a expansão do número das IES privadas. Nesse novo contexto, verificou-se um crescimento mais expressivo, tanto em termos absolutos como em termos relativos, do número de IES no RS, na capital e no interior do Estado.

O número de IES federais em Porto Alegre, em 2014, foi o mesmo de 1991: duas instituições, que são a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Em contrapartida, houve uma significativa expansão no número de IES privadas na capital, que eram em número de 7 em 1991 e aumentaram para 32 em 2014.

Entre 1991 e 2014, houve crescimento significativo no número de IES localizadas no interior. Essa expansão aconteceu, principalmente, por meio de dois fatores: (a) a instalação de novos campi da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), que é a única IES estadual gaúcha, sediada na capital, com unidades espalhadas em mais de 20 municípios do RS, e (b) a abertura de mais quatro IES federais. Foram somadas às já existentes Universidades Federais de Pelotas, de Rio Grande e de Santa Maria, criadas por volta da década de 60, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), além de três Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Federal Farroupilha e o Instituto Federal Sul-Rio-Grandense. Todas essas iniciativas estão contribuindo para a interiorização do ensino superior no RS.

No período 1991-2014, o número de IES privadas gaúchas no interior teve dois comportamentos. Na década de 90, houve declínio: de um total de 37 IES privadas em 1991, o número caiu para 31 em 2000. Já no período 2001-14, o comportamento foi bem diferente: eram 34 IES privadas em 2001 e 78 em 2014 (um aumento de 129,4%).

Observa-se nitidamente que a expansão das IES no RS, entre os anos de 1991 e 2014, foi sustentada, basicamente, pelo crescimento numérico de IES privadas.

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