A evolução do Índice de Rentabilidade das Exportações Gaúchas no período 2008-16

A Fundação de Economia e Estatística lançou, no dia 15 de março, um novo indicador: o Índice de Rentabilidade das Exportações Gaúchas (IREG), cujo objetivo é acompanhar mensalmente a evolução das rentabilidades total e setorial advindas da atividade exportadora do Estado ao longo do tempo. Tal acompanhamento contribui tanto para o setor governamental, auxiliando no direcionamento e na avaliação de políticas públicas voltadas ao setor produtivo, quanto para o empresarial, na medida em que permite entender, com maior precisão, a opção de uma empresa direcionar a sua produção para o exterior ou para o mercado doméstico ou, ainda, sua decisão de realizar, ou não, investimentos voltados à exportação. Logo, o IREG contribui para a avaliação da dinâmica da atividade produtiva exportadora do Rio Grande do Sul, indicando a direção e a margem de ganho de tal atividade. Ademais, o IREG é baseado no indicador nacional de rentabilidade das exportações, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), e é o único existente em âmbito estadual.

O IREG resulta da relação entre três dos principais determinantes da rentabilidade exportadora, quais sejam o preço de exportação, a taxa de câmbio e os custos de produção. O diferencial do índice de rentabilidade é calcular, explicitamente, os custos de produção para as atividades econômicas que produzem bens tradables, ou seja, bens exportáveis, os quais só podem ser calculados a partir de uma matriz de insumo-produto (MIP). No caso, foi utilizada a matriz mais atual do Rio Grande do Sul — referência 2008, calculada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Além da MIP-RS 2008, outra ferramenta de grande relevância para o cálculo do IREG foi o Sistema de Exportações FEE (SisExp), que fornece, nesse caso, os preços de exportação.

Quanto aos dados, a série anualizada do IREG aponta três períodos bastante definidos: o primeiro, de redução da rentabilidade, deu-se entre 2008 e 2011; o segundo, de crescimento, ocorreu de 2012 a 2015; e o terceiro, de forte recuo da rentabilidade exportadora gaúcha, evidenciou-se em 2016.

O primeiro período foi marcado pela forte apreciação do real em relação ao dólar e pela elevação dos preços de exportação e dos custos de produção, desconsiderando os efeitos adversos da crise financeira internacional de 2008/2009. Nesse momento, os preços dos bens exportados pelo RS ainda mostravam-se elevados, sob o efeito do boom das commodities, o qual também contribuiu para a apreciação do câmbio.

Já no segundo período, a rentabilidade das exportações gaúchas cresceu ano após ano, até atingir o seu valor máximo em 2015, mesmo esse sendo um ano marcado pelas recessões brasileira e gaúcha, caracterizadas pela piora de praticamente todos os indicadores econômicos e sociais. Nesse período, a taxa de câmbio passou a se depreciar continuamente a partir do segundo semestre de 2011 (e, com maior intensidade, em meados de 2014), enquanto os custos de produção continuavam o seu comportamento altista, e os preços de exportação se mantinham praticamente estáveis até o primeiro semestre de 2014. Desse momento em diante, na esteira do fim do boom das commodities, os preços despencaram no mercado internacional. Mesmo assim, o câmbio mais que compensou os efeitos negativos dos demais componentes: enquanto a taxa de câmbio média, em 2011, fechou a R$/US$ 1,67, ela alcançou R$/US$ 3,33 em 2015.

A rentabilidade, por sua vez, recuou, em 2016, 9,9% em relação a 2015, pois o câmbio, mesmo com a depreciação de 4,8%, não foi capaz de neutralizar os efeitos adversos tanto da retração dos preços dos bens exportados (-5,3%) quanto do crescimento dos custos de produção (mais 10,5%). Com relação aos dados setoriais, todas as atividades, com exceção de apenas quatro (agricultura, produtos do fumo, outros equipamentos de transporte e pecuária e pesca), registraram variações negativas nos seus preços; por outro lado, os custos de todas as atividades econômicas apresentaram elevação. Na mesma comparação, foram registrados o maior recuo anual da rentabilidade e o maior aumento dos custos em toda a série.

Por fim, cabe destacar que a abertura setorial do IREG permite acompanhar as diferenças de trajetórias entre as atividades econômicas que o índice total não revela. Enquanto 2011 foi o ano em que o IREG total registrou o seu valor mínimo, ele também foi mínimo apenas para 12 das 25 atividades econômicas calculadas. Por outro lado, enquanto 2015 foi o ano com rentabilidade máxima no Estado, ela também foi máxima apenas para 11 atividades. Dessa forma, fica visível a relevância de se acompanhar os dados setoriais para um maior entendimento da realidade exportadora do RS, na medida em que ficam evidenciadas grandes diferenças na evolução da rentabilidade de cada atividade em resposta às diferenças no desempenho dos preços de exportação e nas estruturas de custo que impactam, de formas diferenciadas, a rentabilidade de cada atividade.

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