A economia gaúcha no primeiro semestre de 2003

A economia brasileira, nos primeiros seis meses de 2003, caracterizou-se por apresentar fortes constrangimentos à retomada do crescimento econômico, num contexto de elevado patamar da taxa de juros, associado a uma aceleração da inflação e à redução do poder de compra de grande parte da população. Ao final do período, constata-se um recuo do nível de preços e dos juros, embora ainda permaneçam obstáculos à retomada do crescimento econômico. Dentro desse contexto, inserem-se as perspectivas de desempenho dos estados.

Ao se examinarem os resultados observados para o primeiro semestre do ano no Rio Grande do Sul, constata-se um crescimento na produção de grãos (soja, arroz, feijão e milho) de 30,7%, que injetou, aproximadamente, R$ 11 bilhões na economia a preços de março de 2003, quantia 2,17 vezes maior que a observada no ano anterior. Esse acréscimo de recursos resultou, além do aumento na produção, de um incremento nos preços recebidos pelos produtores de 53,3% entre março de 2002 e março de 2003, segundo a FGV.

Esses resultados obtidos pelo setor agrícola muito contribuíram para o desempenho das exportações de produtos básicos, que cresceram 53,3% neste primeiro semestre de 2003, seguidos dos semimanufaturados (39,7%). Com isso, as exportações gaúchas tiveram expansão de 32,6% com relação a igual período de 2002.

O setor industrial também apresentou desempenho positivo, embora em níveis mais modestos que o setor agrícola, registrando crescimento na produção física de 3,3% no acumulado até maio de 2003, resultado substancialmente maior do que o da indústria brasileira (0,6%). Esse crescimento da produção industrial foi determinado principalmente pela performance de setores ligados à agricultura e ao mercado externo, destacando-se as indústrias mecânica; de couros e peles; papel e papelão; material elétrico e de comunicações; metalúrgica; e fumo. A indústria da construção civil também apresentou resultado positivo no primeiro semestre deste ano, considerando-se o crescimento de 2,6% no consumo de cimento no RS em relação ao primeiro semestre do ano anterior.

Se os segmentos da economia gaúcha ligados à agricultura e ao comércio exterior vêm mostrando crescimento, o mesmo não se observa nos demais. O comércio varejista, no Estado, experimentou uma queda de 1,0% nas vendas, nos primeiros cinco meses do ano. Essa redução foi provocada pela retração de 4,6% ocorrida na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), uma vez que, no Interior do Estado, se registrou crescimento de 2,6%. A queda nas vendas do comércio varejista, especialmente de bens não duráveis, deve-se, fundamentalmente, à redução da renda real dos consumidores, aliada ao baixo crescimento da ocupação. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), a massa de rendimentos médios reais dos ocupados na RMPA em maio de 2003 era 10,4% menor do que em maio de 2002.

O crescimento da ocupação na RMPA mostrou-se modesto, não sendo suficiente para absorver o contingente de trabalhadores que ingressou no mercado de trabalho, observando–se crescimento da taxa de desemprego, que atingiu 17,6% da População Economicamente Ativa (PEA) em junho.

Pelo exposto, percebe-se que a economia gaúcha, no primeiro semestre de 2003, apresentou um desempenho apenas razoável, marcado por diferentes desempenhos entre os diversos setores, fato que se mostrou insuficiente para sequer manter o nível de arrecadação do ano anterior, assinalando-se uma queda de 2,0% no ICMS total. No geral, a economia estadual foi impulsionada pelo setor agrícola e pelas exportações, aparecendo a economia metropolitana como aquela de menor nível de atividade.

A economia gaúcha no primeiro semestre de 2003

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