A economia gaúcha em 2003

A Fundação de Economia e Estatística divulgou, em dezembro passado, suas estimativas sobre o crescimento da economia do Estado em 2003. Segundo essas estimativas, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou um crescimento real de 4,7%, atingindo o valor de R$ 130,7 bilhões. O PIB per capita, por sua vez, teve um crescimento real de 3,6%, alcançando o valor de R$ 12,4 mil.

Esse crescimento é bem expressivo, sendo o maior dos últimos seis anos. Na realidade, se tomarmos o período 1985-03, verificamos que o desempenho deste último ano só foi superado pelos de 1992, 1993, 1994 e 1997. Esse crescimento em 2003 adquire ainda maior significação quando comparado com o crescimento médio dos últimos cinco anos (2,3%) e dos últimos 10 anos (2,8%).

agropecuária, com uma participação de 15% no Valor Adicionado Bruto (VAB) total do Estado, foi o setor de maior destaque no ano, com uma taxa de crescimento de 18,5%. Esse desempenho expressivo foi resultado, principalmente, dos crescimentos nas produções de milho (39,1%), soja (70,7%) e trigo (83,8%), culturas em que o Estado é um dos maiores produtores do País. O arroz e o fumo, culturas importantes no Estado, tiveram, entretanto, quedas em suas produções: -14,2% e -5,2% respectivamente. Deve-se destacar que os desempenhos do milho, da soja e do trigo foram resultado, principalmente, dos crescimentos em suas produtividades: 43,8%, 57,2% e 39,8% respectivamente. A produção animal teve uma performance inferior à da lavoura, com um crescimento de 1,4%, graças aos aumentos na bovinocultura (1,7%), na avicultura (3,2%) e na produção de leite (5,7%), que foram acompanhados por quedas nos demais segmentos.

A indústria de transformação, com uma participação de 33% no VAB, apresentou um crescimento de 3,5%. Tomando-se os resultados acumulados até outubro, alguns gêneros industriais tiveram crescimento significativo, quando comparados com o mesmo período do ano anterior: mecânica (21,5%), material de transporte (6,8%), metalúrgica (3,9%), papel e papelão (13,7%) e química (8,2%). Por outro lado, gêneros tradicionais do Estado tiveram desempenho negativo: fumo (-10,2%), mobiliário (-1,5%), produtos alimentares (-4,1%) e vestuário e calçados (-10,3%). A construção civil (6% do VAB) e o segmento de eletricidade, gás e água (2% do VAB) tiveram, em 2003, desempenhos bem inferiores à média da economia: 0,5% e 1,0% respectivamente. Esses desempenhos, associados à queda na indústria extrativa mineral (-6,2%), resultaram em um crescimento de 2,9% na indústria como um todo.

O setor serviços, com uma participação de 46% no VAB, cresceu a uma taxa de 1,7%, com uma queda de 0,3% no comércio e um desempenho positivo (3,0%) para o conjunto dos demais serviços (aluguéis, intermediação financeira, alojamento e alimentação, comunicações, saúde e educação mercantis, serviços domésticos e outros serviços).

Segundo projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o PIB do Brasil cresceu 0,2% em 2003, com a agropecuária expandindo seu VAB em 5,7%, a indústria apresentando uma queda de 0,7%, e os serviços, um crescimento de 0,2%. Todos esses desempenhos foram inferiores aos do Estado, fazendo com que o PIB estadual aumentasse sua participação no País para 8,42%.

A economia gaúcha em 2003

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